Terceira Tech Island deverá ter 21 empresas no início de 2020
18 de dez. de 2019, 17:43
— Lusa/AO Online
“Temos instaladas 16 empresas e já temos
confirmadas mais cinco empresas, que se pretendem instalar ao longo dos
próximos meses no Terceira Tech Island. Estaremos dentro de pouco tempo
com 21 empresas”, avançou, em declarações aos jornalistas, o
vice-presidente do executivo açoriano, Sérgio Ávila.O
governante falava na Praia da Vitória, à margem de uma conversa com os
alunos do sexto curso de formação de programadores da Academia de
Código, que termina esta semana. Com estes
novos alunos, são 170 os jovens já formados, com financiamento do
Governo Regional, em linguagem 'javascript' e 'outsystems', desde
outubro de 2017, na ilha Terceira. Segundo
Sérgio Ávila, a procura de recursos humanos por parte das empresas que
se instalaram ou que se pretendem instalar na Praia da Vitória supera a
capacidade de oferta da ilha Terceira, por isso é preciso continuar a
formar jovens. “Vários destes alunos,
antes de acabarem, já têm duas, três, quatro ofertas de emprego. A
perspetiva de empregabilidade é extremamente elevada”, frisou.O
vice-presidente do Governo Regional sublinhou que há empresas já
instaladas a “ganhar muitos contratos” pelo mundo inteiro e que
necessitam de “aumentar significativamente" os seus recursos humanos. “Há
uma empresa, por exemplo, que tem neste momento 25 programadores e
precisa de chegar urgentemente aos 50, porque ganhou muitos concursos a
nível internacional”, revelou.Os cursos da
Academia de Código e da ITUp na ilha Terceira têm atraído jovens com
diferentes níveis de qualificação, desde os que terminaram o 12.º ano ou
cursos profissionais aos que deixaram licenciaturas a meio para se
formarem em programação, passando pelos que já tinham concluído
licenciaturas e mestrados e até já estavam integrados no mercado de
trabalho, mas decidiram iniciar atividade numa nova área.“É
um emprego com futuro, com estabilidade, com um nível de remuneração
muito acima da média, com grande capacidade de trabalharem para o mundo
inteiro”, salientou Sérgio Ávila.Luís
Ferreira, 29 anos, natural do Porto, estava pronto a integrar o mercado
de trabalho como arquiteto, depois de concluir o mestrado em Coimbra e
de ter feito o estágio da Ordem de Arquitetura, mas largou tudo e fixou
residência na ilha Terceira para frequentar o curso da Academia de
Código. “Tinha oportunidade de continuar a
trabalhar como arquiteto, tinha outro projeto de tradução que também já
me estava a dar bastante rentabilidade, mas eu queria mesmo trabalhar
em programação”, revelou, acrescentando que “precisava de uma coisa que
tivesse a ver com desafios lógicos”.Descobriu
a Academia de Código no Facebook e mal terminou o estágio mudou-se para
a ilha Terceira. Prestes a acabar o curso, tem já uma proposta concreta
e vários contactos. “Não estou nada
arrependido. Foi das melhores decisões que podia ter tomado em termos
profissionais”, apontou, acrescentando que já aconselhou o curso a
amigos que já se inscreveram na Academia de Código.Também
Beatriz Almeida Pires, 25 anos, natural do Algarve, alterou a
residência fiscal para os Açores para frequentar este curso e hoje, já
com entrevistas marcadas, diz que não se arrepende da decisão. “Eu
tinha emprego, inclusivamente estive no estrangeiro a trabalhar, mas
decidi experimentar uma coisa completamente nova e foi por isso que me
candidatei e decidi arriscar”, adiantou.Formada
em design de moda, Beatriz mudou-se para uma área completamente
diferente, mas com o “espírito de trabalho e de sacrifício” incutido
está prestes a concluir o curso e já tem entrevistas de emprego
marcadas.“No ensino tradicional pedem-nos
exames específicos e aqui não há requisitos, qualquer pessoa pode-se
candidatar e essa foi uma das coisas que mais me atraíram”, referiu.O
Terceira Tech Island, que surgiu com o objetivo de mitigar o impacto da
redução militar norte-americana na base das Lajes, deverá instalar-se
numa antiga escola americana, mas por enquanto as empresas continuarão a
instalar-se em edifícios abandonados no centro histórico da Praia da
Vitória. “Tudo aquilo que eram lojas
fechadas neste momento são empresas internacionais abertas e muitas
outras estão a surgir. Isso tem uma dinâmica ao nível da economia local
que acho que não devemos perder”, sublinhou o vice-presidente do
executivo açoriano, ressalvando que o projeto de recuperação da escola
está “em fase final de elaboração”.