Teoria explica a relação entre complexidade cognitiva e assimetria cerebral
14 de set. de 2023, 07:47
— LUSA/AO online
A maioria dos animais tem corpos com simetria
espelhada (esquerda e direita são iguais, mas invertidas), propriedade
que o cérebro partilha, exceto no caso de algumas funções cognitivas que
parecem lateralizadas.Até ao momento, os
mecanismos biológicos que fazem com que essa simetria no cérebro
desapareça, em alguns casos, não são bem compreendidos.O
investigador do Conselho Superior de Investigação Científica (CSIC), em
Espanha, Luis Seoane, desenvolveu uma nova teoria matemática que
demonstra como o aparecimento de mais complexidade cognitiva acarreta
uma pressão evolutiva que favorece a lateralização cerebral.O
trabalho de Seoane, que verifica esta hipótese amplamente difundida,
está publicado na revista Physical Review X, divulgou esta quarta-feira o
CSIC, citado pela agência Efe.Seoane
destaca que “até agora, a investigação centrou-se em processos mais
mecânicos que também poderiam quebrar a simetria, como o uso
preferencial de uma mão”.No entanto, este
novo modelo, baseado na ciência dos sistemas complexos, “demonstra
matematicamente” que a evolução das funções cognitivas avançadas é um
ingrediente chave que pode quebrar a bilateralidade.Por isso, “pode-se esperar que animais com cognição mais avançada tenham cérebros mais assimétricos”, realça o cientista.Além
disso, há casos que progridem da simetria para a assimetria:
Respondemos à linguagem com ambos os hemisférios assim que nascemos, mas
esta função torna-se mais tarde lateralizada à medida que o cérebro
amadurece.A nova teoria prevê ainda que,
em determinadas situações, este mecanismo poderia funcionar ao
contrário, ou seja, que uma maior complexidade cognitiva poderia
restabelecer simetrias perdidas ou gerar novas, duplicando circuitos já
existentes.O trabalho de Seoane, além de
confirmar uma teoria há muito aceite na neurociência, abre portas para
aplicações práticas na neurologia.Este
quadro teórico, explica o CSIC, permite avaliar qual é a forma ideal de
trabalhar o cérebro, se o faz de forma simétrica ou com cada hemisfério
separadamente, e se uma configuração inadequada pode afetar ou causar
patologias.