Teodora Cardoso rejeita tentação de reduzir impostos só porque défice desceu
28 de set. de 2017, 12:45
— Lusa/AO online
"O principal risco que
reconhecemos nesta evolução tem a ver com o facto de, com uma economia a
melhorar e o saldo orçamental a aproximar-se dos objetivos desejados e
das regras europeias, haver a tentação de voltar a apostar nas despesas
públicas como forma considerada necessária para reforçar o crescimento
da economia e para resolver um conjunto de problemas estruturais que a
economia portuguesa continua a exibir", afirmou. Para Teodora
Cardoso, "este é um ciclo vicioso que se tem de quebrar. Não podemos e
voltar a cair na tentação de que os problemas estruturais se resolvem
com política orçamental". O CFP apresentou hoje a atualização do
relatório 'Finanças Públicas: Situação e Condicionantes 2017-2021', no
qual melhorou as suas projeções para a economia e contas públicas para
esse período. Para o próximo ano, e a menos de um mês da entrega da
proposta do Orçamento do Estado para 2018 (2018), a entidade estima
agora que a economia cresça 2,1% e que o défice orçamental represente
1,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Com estas projeções, o CFP
aproxima-se das estimativas do Governo que, no Programa de Estabilidade
apresentado em abril, previa que o défice orçamental fosse de 1% do PIB e
um crescimento económico de 1,9%. Embora tenha admitido que
estes números, bem como os referentes a 2017, são "bastante positivos",
Teodora Cardoso deixou vários avisos para a condução da política
económica e orçamental para os próximos anos. Questionada pelos
jornalistas sobre se é desejável algum tipo de redução de impostos ou de
aumento de salários na Função Pública para o próximo ano, a presidente
do CFP respondeu: "Daquilo que disse, parece-me claríssimo que não.
Penso que seria um erro muito grande voltarmos a enveredar por esse
caminho". No entanto, a economista clarificou que não se trata de
impedir qualquer redução de impostos ou de aumento salarial: "O que se
trata é de não entrar em baixar impostos e aumentar despesas
simplesmente porque já reduzimos o défice, isso dá de certeza mau
resultado". Para Teodora Cardoso, "não significa que não seja
necessário repensar impostos. Mas de uma forma que nunca se pensou em
Portugal: pelo impacto que tem na economia". "Há naturalmente
margem para mexer em impostos e torná-los mais favoráveis à atividade
económica. E há muito tempo que digo e continuarei a dizer que é
necessário repensar muito a sério: na Administraçao Pública há uma coisa
que é absolutamente crucial [que é] definir carreiras e permitir que as
pessos façam carreira na Administração Pública. Mas não basta agora
descongelarmos e não repensarmos as carreiras, a progressão e o próprio
recrutamento na Administração Pública", defendeu. A presidente do
CFP reiterou a necessidade de uma revisão da despesa pública, que, no
caso português, "ainda implica uma redução do total de muitas despesas,
com um limite muito firme".