Tempo gasto em estrutura modular seria suficiente para reabrir HDES
6 de set. de 2024, 09:26
— Rafael Dutra
O engenheiro Mota Vieira, que a par de Marco Ávila realizou o relatório
técnico sobre o incêndio do dia 4 de maio no Hospital do Divino Espírito
Santo (HDES), considerou que o tempo que demorará até a estrutura
modular funcionar na sua plenitude, cerca de oito meses, seria
suficiente para que o Hospital de Ponta Delgada já estivesse aberto.“Se
o trabalho fosse mais rápido - ontem passaram quatro meses [desde o
incêndio] - o hospital já podia estar aberto, tenho perfeita
consciência disso. A última informação é que o hospital modular vai
estar funcional no final do ano. Se somarmos estes quatro meses, já são
oito meses. Oito meses não dava para pôr a trabalhar? Quatro meses davam
para pôr o HDES a trabalhar, é aproveitar o tal estado de calamidade”,
sustentou João Mota Vieira.O autor do relatório técnico sobre o
incêndio no HDES a 4 de maio falava em audição à Comissão Especializada
Permanente de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa da Região
Autónoma dos Açores (ALRAA), após requerimento oral apresentado pelo
Grupo Parlamentar do Partido Socialista, no âmbito do acompanhamento à
situação resultante do incêndio no Hospital de Ponta Delgada.Relativamente
à estrutura modular, apesar de admitir que “agora já está tudo
decidido”, João Mota Vieira refere que “é dito que o hospital não pode
abrir porque não tem segurança” e, nesse sentido, questionou se “a
segurança está assegurada” no hospital modular.“Quem assegura a
segurança não é o Governo Regional dos Açores, é a Câmara Municipal de
Ponta Delgada. Gostava de saber, que alguém respondesse se a obra está
licenciada. Está licenciada, ou tem algum regime especial que a isenta
de licenciamento?”, interrogou.Na ocasião, o engenheiro perguntou se
“existe algum projeto de segurança contra incêndios”, e se o mesmo está
“aprovado pelo Serviço Regional de Proteção Civil”, bem como se esta
estrutura “tem vistorias” e se há “termos de responsabilidade
assinados”.“No hospital modular há obras, há viaturas, há terras,
pavimentos. A qualidade do ar está assegurada? Alguém fez testes e
análises?”, questionou também. “O que quero dizer é que não há
segurança a 100%, há mitigações de risco. A explicação que dão é: ‘O
HDES não podia abrir porque é inseguro e não sei o quê’. Não, o que é
preciso é mitigar os riscos que o HDES apresentava”, afirmou.“Não
sei se esses riscos estão todos mitigados na infraestrutura nova”,
aponta, salientando que quer “crer que sim” e que “gostava que lhe
dissessem”.“Seria uma grande irresponsabilidade se não estivesse,
mas não vi isso ninguém perguntar nem explicar”, frisou João Mota
Vieira.