Tempestade provocou estragos na produção de fruta na ilha Terceira
Açores/Gabrielle
1 de out. de 2025, 09:43
— Lusa/AO Online
“Estávamos
com a produção um pouco atrasada, este ano, e havia muita banana a
amadurecer agora para o mês de outubro. Tinha cachos muito pesados e
houve muita banana que aturou e foi para o chão”, afirmou o presidente
da Fruter, Paulo Rocha.A tempestade
pós-tropical Gabrielle, inicialmente prevista nos Açores como furacão de
categoria 1, provocou chuva, vento forte e agitação marítima, com
particular incidência nas ilhas do grupo Central, na madrugada de quinta
para sexta-feira.Segundo Paulo Rocha, os
ventos fortes provocaram, sobretudo, a queda de bananas e de citrinos
(laranja e limão), que estavam no início da campanha de colheita.Os
associados da Fruter exportam ainda flores, principalmente proteas,
também nesta altura do ano, em início da campanha de colheita, mas neste
caso os prejuízos foram menores.“A nível
das flores, não houve prejuízos muito significativos. Houve um ou outro
produtor em zonas mais altas que teve algum prejuízo em plantas que
tombaram”, revelou.Na horticultura também não se registaram grandes prejuízos, mas houve estragos em algumas estufas.Questionado
sobre os montantes envolvidos, Paulo Rocha disse que “não é fácil
contabilizar” e que cada produtor estará a fazer esse levantamento.Na produção de banana, no entanto, a cooperativa perspetivava uma colheita “acima da média” no final de outubro.A Federação Agrícola dos Açores (FAA) revelou, em
comunicado de imprensa, que foram registados prejuízos, em várias ilhas,
particularmente na cultura do milho forrageiro, considerando “urgente
criar um sistema de seguros agrícolas que dê mais segurança aos
agricultores”.Também o presidente da
Fruter defendeu que é necessário criar seguros ou encontrar um mecanismo
alternativo que compense os produtores agrícolas.“É
uma questão que há anos que andamos a debater e tem de se resolver ou
de uma maneira ou de outra. Não podemos continuar sem uma salvaguarda”,
sublinhou.Segundo Paulo Rocha, se as
seguradoras não aceitarem criar seguros agrícolas, pode ser criado “um
fundo de emergência agrícola, em que o agricultor faça um desconto e
seja ressarcido”.Caso sejam criados
seguros agrícolas, o presidente da cooperativa Fruter defendeu que todos
os produtores devem subscrevê-los, sob pena de uns pagarem seguros e
outros serem apoiados pelo Governo Regional, como aconteceu no passado.“Os
que não faziam seguros quase que às vezes recebiam da parte do Governo
Regional mais do que os que faziam seguro. Tem de haver por parte do
Governo Regional uma atitude firme: ou vai tudo para os seguros ou
arranja-se um método de compensar este tipo de situações”, salientou.