Telmo Correia diz que ou há solução de centro-direita ou país fica em “absoluta ingovernabilidade”
27 de out. de 2021, 18:50
— Lusa/AOonline
“Eu
acho que António Costa já não tem solução. A solução ou vem do
centro-direita ou o país ficará numa situação a que a geringonça nos
condenou: de absoluta ingovernabilidade”, afirmou aos jornalistas o
líder parlamentar do CDS nos Passos Perdidos, na Assembleia da
República, pouco depois de a proposta do Orçamento de Estado para 2022
ter sido chumbada na generalidade.Segundo
Telmo Correia, se o modelo da geringonça “faliu” e “acabou agora”, o
“responsável é de quem criou o modelo, portanto a responsabilidade é do
primeiro-ministro”. O
líder da bancada parlamentar do CDS afirmou também que, além de se ter
criado “uma crise política”, foi também aberto “um novo ciclo político”,
considerando que o PCP, ao votar contra o Orçamento do Estado, “reagiu
claramente na ressaca do que foram as eleições autárquicas”, onde perdeu
cinco câmaras municipais relativamente a 2017. Nesse
sentido, Telmo Correia considerou que “alguns sinais das autárquicas"
podem ser "transpostos para este novo ciclo político”. Abordando
assim a futura composição da Assembleia da República em caso de
eleições legislativas, Telmo Correia considerou “muito difícil” António
Costa volte a construir uma maioria parlamentar com BE e PCP.“Portanto, a alternativa só pode vir da direita e do centro-direita”, reiterou. Questionado
sobre se as eleições diretas tanto para líder do PSD como do CDS podem
vir a gerar alguma turbulência na preparação para as eventuais eleições,
Telmo Correia salientou que acha que “não”, afirmando que, pelo
contrário, “a discussão vai ser positiva”. “Normalmente,
da discussão, nasce a luz, e também vai ser assim para os partidos à
direita. Qualquer que seja a luz, não me quero pronunciar sobre isso
agora, se é continuidade, se é mudança, não é isso que está em causa”,
indicou. Telmo
Correia referiu ainda que a “existência de um processo de debate
interno, o envolvimento dos militantes, a discussão de iniciativas, de
propostas, de moções de estratégia” terão agora de ser feitos pelos
partidos de direita. “Além
de discutirem a liderança, terão que discutir qual é o seu programa
eleitoral, ou seja, neste momento, mais do que uma moção de estratégia
para dois anos de oposição, nós teremos que sair da discussão interna
com um programa eleitoral de candidatura para as eleições legislativas”,
referiu. Interrogado
quantos aos prazos para as eleições que eventualmente preferia, Telmo
Correia afirmou não querer insistir sobre esse tema, frisando que,
talvez todos preferissem que a “direita e o centro-direita” tivessem
mais tempo para se organizarem, mas que a “vida não é feita” de
preferências. “Da
parte do CDS, não haverá grande problema, tem o seu processo resolvido
no início de novembro, não vamos ter eleições no Natal. (…) Portanto, eu
acho que, nestas circunstâncias, é o que tiver de ser, é preciso é que
haja uma alternativa”, afirmou. Falando
aos jornalistas poucos minutos antes de Telmo Correia, a deputada do
CDS Cecília Meireles também referiu que “não faz sentido ir a votos fora
sem ir a votos dentro”. “É
a minha opinião, não enquanto deputada, mas enquanto militante de base
do CDS e enquanto portuguesa. Não vou dizer rigorosamente mais nada”,
indicou.