Telma Monteiro motivada em ser a primeira judoca a participar em seis Jogos
23 de jan. de 2023, 12:14
— Lusa/AO Online
“Neste momento, a minha motivação é
que, se eu for aos sextos Jogos Olímpicos, vou ser a única judoca no
mundo a ter alcançado esse feito. Na minha mente, eu consigo ainda lutar
pelo pódio, sou sempre competitiva e quero alcançar uma medalha. Nesta
fase, a minha motivação é saber que o que posso vir a fazer é história.
Falta um ano e meio, o que, com 37 anos, é longo, mas, se estou tão
perto, não faz sentido não tentar alcançar”, salientou, perante uma
plateia de jovens esperanças olímpicas portuguesas.Telma
Monteiro encerrou o Encontro Nacional de Esperanças Olímpicas,
organizado pelo Comité Olímpico de Portugal (COP) e que reuniu, no
Centro de Alto Rendimento do Jamor, mais de uma centena de jovens
atletas aspirantes a participar nos Jogos de Los Angeles, em 2028, e de
Brisbane, em 2032, com um painel “Conversas Olímpicas”.“A
medalha [de bronze] que ganhei no Rio2014, agora, parece óbvia. Tinha
já quatro medalhas em Mundiais, muitas em Europeus e só faltava a
medalha olímpica. Ganhei essa medalha passados quatro Jogos Olímpicos,
12 anos depois. Já estava numa fase adiantada da carreira e tina sido
operada seis meses antes. Agora, parece que isso não vai acontecer,
olhando para a minha idade e o ‘ranking’ atual. Se nos prepararmos e
acreditarmos que somos capazes, a partir do momento em que estamos lá,
podemos ganhar. Posso pensar na medalha de ouro, mas cada um tem o seu
objetivo”, realçou.A judoca do Benfica
recordou alguns momentos da sua carreira, repleta de sucessos e
conquistas internacionais, mas também aqueles onde não cumpriu os
objetivos, como em Pequim2008, onde era favorita ao ‘ouro’ e concluiu
num desapontante nono lugar.“Cheguei a
Pequim como número um do mundo. Com 21 anos e com a expectativa de que
era invencível, estava mais focada no resultado final do que em todo o
processo. Tinha clara noção de que era favorita, mas esqueci-me da parte
toda até à conquista. Quem vai para uma competição com alguma dose de
arrogância e falta de humildade e quando as coisas não correm bem, ainda
é pior. Mesmo se fosse campeã olímpica, não estava preparada
psicologicamente. Foi uma desilusão enorme e, na altura, fui muito
criticada, portanto não tinha de lidar só com a minha frustração, mas
com a raiva das outras pessoas e com todas as coisas que eram escritas”,
sublinhou Telma Monteiro.Desta forma,
sentiu que foi “lançada às feras”, sem qualquer preparação, e elogiou a
iniciativa para as esperanças olímpicas, no sentido de contribuir para o
psicológico dos atletas e a saúde mental, o que, antes, “era um tabu
completo”, mas que é “essencial”.“Quando
somos jovens, podemos viajar com os pais, interromper treinos durante um
mês para ir viajar, ter atividades com amigos, a entrada na faculdade…
Tem a ver com a dedicação e o compromisso, porque vai haver sempre
muitas distrações. É uma fase bastante importante do nosso
desenvolvimento como atletas”, aconselhou a judoca.Assim,
mesmo tendo de “abdicar de muitas coisas”, Telma Monteiro lembrou que
as experiências vividas na alta competição, como nos Jogos Olímpicos,
“são muito mais especiais”, considerando importante existir uma
preparação para o deslumbramento.“Quando
cheguei lá aos Jogos Olímpicos é que tive a perceção. Fiquei chocada com
a dimensão de tudo e só meses mais tarde é que processei tudo o que
aconteceu. Em competição, as regras e os adversários são os mesmos, mas o
ambiente que se vive lá é completamente diferente. Mal entras na aldeia
olímpica, sentes-te especial”, frisou.A
concluir, Telma Monteiro lembrou a importância de um planeamento para o
final da carreira, que “pode acabar a qualquer momento”, e, portanto,
prosseguiu os estudos, licenciando-se em Educação Física e com uma
pós-graduação em Gestão e Marketing.“Nunca
dei por garantido que, no próximo ano, fazia parte da seleção. É
desgastante conciliar os estudos, psicologicamente e até fisicamente,
mas é algo que me orgulho bastante. Quando estamos no auge, parece que
isto é infinito, mas o infinito pode ser apenas um mês e uma lesão grave
termina-te a carreira. Quando a carreira terminar, há uma vida muito
longa pela frente e temos de estar preparados para isso”, alertou.O
encontro de esperanças olímpicas, que também contou com o testemunho da
atleta Patrícia Mamona, prata no triplo salto em Tóquio2020,
proporcionou distintas atividades aos jovens atletas, em domínios como
educação olímpica, integridade, nutrição ou combate à dopagem e testes
de avaliação e controlo do treino para otimizar o desenvolvimento.