Telma Monteiro e outros olímpicos acusam presidente da FP Judo de opressão
11 de ago. de 2022, 13:31
— Lusa/AO Online
Em carta assinada pelos seis
judocas, mais Rodrigo Lopes, num total de sete dos 10 atletas do projeto
olímpico da modalidade, são muitas as críticas a Jorge Fernandes,
acusado de discriminação e ameaças, no que dizem ser um “clima
insustentável e tóxico”.São vários os
pontos focados pelos judocas, que dizem ter reunido e exposto os
problemas existentes ao presidente da FPJ, mas que esbarraram na “falta
de compreensão, de flexibilidade e sensibilidade” do dirigente.Os
judocas lamentam que Jorge Fernandes continue a insistir na
obrigatoriedade da presença em Coimbra em 70/80 por cento dos 52
estágios num ano, ameaçando com a exclusão da equipa, caso os atletas
falhem esse pressuposto. “Aquilo que foi
uma boa solução durante o período em que a pandemia causada pela
covid-19 impôs a criação de uma bolha de treino, em Coimbra, que nos
permitiu estar nos Jogos em segurança, é hoje um dos fatores em que
discordamos profundamente da estratégia imposta pela FPJ”, dizem.Um
cenário que, explicam, os impede de participar em estágios
internacionais e treinarem com os melhores do mundo, além de o fazerem
num local que dizem não ter condições: “por vezes, estão apenas oito
atletas presentes para treinar, e durante o inverno chegar a estar sete
graus dentro do pavilhão”.No comunicado,
os judocas revelam que Anri Egutidze, de origem georgiana, foi impedido
por Jorge Fernandes, de falar a língua materna, e ficou fora de uma
competição por “represália” a uma ausência de estágio e não, como se
justificou, por questões de saúde. Também
Telma Monteiro e Bárbara Timo, que fizeram um estágio em Itália a
expensas próprias, dizem que a FPJ, através do secretário Sergiu
Oleinic, questionou se as mesmas estavam lá e que a luso-brasileira foi
repreendida pela presença.“Não
compreendemos qual o padrão de coerência – o presidente da Federação diz
que os atletas podem realizar estágios internacionais a expensas
próprias, mas quando isso acontece sofrem ameaças, represálias e são
chamados à atenção”, questionam.Ainda em
relação aos estágios fora de Portugal, os judocas criticam também a FPJ
por tratar das estadas e viagens à última hora, “o que mostra a
desorganização em que se vive, prejudicando a preparação dos atletas”.Os
sete judocas dizem também não entender que seja a Federação de judo a
gerir as bolsas de preparação atribuídas pelo Comité Olímpico a cada um
dos atletas, que as conquistou através de determinados resultados
desportivos.“Sendo que cada bolsa deveria
ser – por lei – destinada apenas ao atleta a que é atribuída”, explicam,
acrescentando que a FPJ tem descontado das bolsas o pagamento de cada
treinador que acompanha o atleta e que essa despesa “deveria ser
suportada” pela Federação.Entre vários
assuntos, Jorge Fernandes é também acusado de fazer as convocatórias da
seleção, em detrimento dos treinadores, e de ter tido um comportamento
inadequado para com os judocas de origem brasileira, Rodrigo Lopes,
Bárbara Timo e Rochele Nunes.O presidente
da FPJ é acusado de ter, na reunião em que lhe expressaram o
descontentamento, categorizado a origem dos três judocas e o facto de
assinarem o documento em que dão conta da situação que vivem,
chamando-os de “ingratos”.A judoca Bárbara
Timo terá mesmo alegado que as idas para Coimbra contribuíram para a
depressão que viveu e tornou pública, mas que o presidente da FPJ terá
respondido que ninguém a obrigou a vir do Brasil para Portugal.“Várias
vezes foi feita a referência à origem dos atletas, que devem ser
tratados com respeito e direito a expressar preocupações ou fazer
sugestões semelhantes a qualquer outro atleta português”, dizem.A
menos de dois anos dos Jogos Olímpicos de Paris2024, os judocas
finalizam que “urge uma gestão criteriosa” da carreira desportiva e
financeira e pedem que as respetivas bolsas olímpicas sejam geridas pelo
Comité Olímpico de Portugal.“Sugerimos
que as bolsas dos judocas olímpicos passem a ser geridas pelo próprio
Comité Olímpico de Portugal, em sintonia com os clubes e os
treinadores”, defendem, apelando que à ajuda das entidades que regem o
desporto, para que se chegue a uma solução, caso contrário não encontram
condições para continuarem a fazer face às exigências da alta
competição e do apuramento olímpico”, assinalam.