Teerão vai iniciar julgamento público de mil detidos na onda de protestos
Irão
31 de out. de 2022, 18:20
— Lusa/AO Online
Os
julgamentos serão realizados em público em tribunais revolucionários na
capital iraniana, disse o gabinete, segundo a agência espanhola EFE.“Estes
são indivíduos que cometeram atos de sabotagem durante a recente
agitação e enfrentam sérias acusações, tais como agressão e morte de
forças de segurança ou atear fogo a propriedade pública e privada”,
disse o gabinete.O chefe do poder judicial
iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, disse que os julgamentos serão
realizados com “rapidez e precisão”, especialmente daqueles que tentaram
subverter o sistema islâmico.“Aqueles que tentaram subverter o regime e dependem de estrangeiros serão punidos de acordo com as leis”, disse Ejei.As acusações de colaboração com governos estrangeiros podem acarretar a pena de morte no Irão.Pelo
menos 1.019 pessoas foram acusadas em oito das 31 províncias iranianas
pelo seu envolvimento nos protestos, mas o número poderá ser mais
elevado, uma vez que cada região tem vindo a anunciar os seus casos.O
Irão tem enfrentado protestos desde a morte de Amini em 16 de setembro,
três dias depois de ter sido detida pela polícia moral por usar
incorretamente o véu islâmico.Os protestos
são liderados principalmente por jovens e mulheres que pedem liberdade e
o fim da República Islâmica, algo impensável há pouco tempo.Nos
últimos dias, a repressão das manifestações endureceu, especialmente
nas universidades, na sequência de um ultimato dos Guardas
Revolucionários para que os jovens parassem de protestar.Os
protestos estão a ser fortemente reprimidos pelas forças de segurança e
resultaram em 108 mortos e 12.500 detidos, de acordo com a organização
não-governamental (ONG) Iran Human Rights, com sede em Oslo.