Técnicos de Manutenção só aceitam cortes com introdução de medidas de eficiência
TAP
27 de jan. de 2021, 16:56
— Lusa/AO Online
Num
comunicado emitido no dia em que a estrutura sindical esteve na Comissão
de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, no parlamento, o
Sitema deu conta da proposta que a companhia aérea fez, durante as
negociações com os trabalhadores, que diz incluir “medidas de redução
correspondentes a uma perda de vencimento para os TMA [técnicos de
manutenção de aeronaves] de 43% e não de 25% como a administração da
empresa e o Governo têm vindo a anunciar” e acrescentando que já fez
chegar uma contraproposta à empresa.Esta
contraproposta, que o sindicato diz atingir os mesmos objetivos, tem “a
sua implementação voluntária por parte dos TMA condicionada à
participação dos trabalhadores na redefinição de um desenho operacional
que contribua para o aumento da rentabilidade e para a redução de gastos
desnecessários na operação da TAP”, lê-se na mesma nota.De
acordo com o plano do Sitema, deve ser “implementando na TAP um plano
de restruturação profundo que recorra às melhores práticas de mercado em
eixos estratégicos prioritários”.Estas
prioridades passam pela “simplificação de procedimentos burocráticos e
hierárquicos" e a “redução e otimização dos trabalhos efetuados em
‘outsourcing’, cujo potencial de poupança ronda os quatro milhões de
euros”.O Sitema apela ainda à “redução da
rotação de TMA com a consequente obtenção de ganhos de eficiência na
melhoria de decisões operacionais que implicam gestão e intervenção em
unidades que podem representar, por intervenção, ganhos na ordem de um
milhão de euros, bem como um contributo significativo para diminuição do
número de voos atrasados, desviados ou cancelados”, e a uma “aposta na
comercialização dos serviços de manutenção para outras companhias
aéreas, operação altamente rentável para a TAP em Portugal e que em
2020, período pandémico, gerou receitas de clientes externos de, pelo
menos, 67 milhões de euros”.O sindicato
defende que estas medidas “em nada prejudicam a companhia e defendem a
sua rentabilidade ao longo do tempo, enquanto se distanciam de uma mera
redução de custos e se aproximam de um verdadeiro plano de
reestruturação”.Caso estas propostas sejam
acolhidas pela TAP, “o Sitema e os trabalhadores que representa estão
disponíveis para implementar diversas medidas que incidem diretamente na
redução dos encargos com trabalhadores”, incluindo a “limitação do
horário de trabalho em um de dois modelo de ‘part-time’”, com “períodos
trimestrais, ou seja, três meses de trabalho para três meses de pausa,
modelo que origina uma redução de encargos na ordem dos 50% ou redução
de carga horária para 6 horas/dia” que gera “uma redução de encargos na
ordem dos 20%”, garante a estrutura.“Os
TMA querem, de facto, tornar esta empresa rentável, por isso não estamos
disponíveis para patrocinar, seja através da redução de salários dos
nossos trabalhadores, seja através dos impostos que, enquanto cidadãos,
também pagamos, um mero ‘encolhimento’ da companhia aérea de bandeira de
Portugal sem que, concomitantemente, se inicie um efetivo plano de
reestruturação da empresa, plano que ainda não conhecemos”, disse Paulo
Manso, presidente do Sitema, citado na mesma nota.“Não
deixa de ser sintomático da falta de ambição deste plano de
reestruturação que, na proposta que nos foi apresentada, apenas 4% dos
ganhos advenham de verdadeiras medidas de reestruturação. Tudo resto é
feito à custa de redução das condições dos trabalhadores”, lamenta o
dirigente sindical.O Sitema voltou ainda a
avisar que “para a frota existente, antes da alienação de aeronaves e
mantendo o rácio de 2001 deveriam existir 3.505 TMA”, mas que, “no
entanto, a equipa é constituída por 908 técnicos”.As
estruturas representativas dos trabalhadores da TAP condenaram hoje, no
parlamento, o modelo jurídico escolhido para auxílio à empresa, que a
coloca sob um "regime draconiano" de Bruxelas quando as congéneres
europeias beneficiam do mecanismo de exceção criado devido à pandemia.