Técnicos de manutenção da SATA dizem estar disponíveis para suspender a greve
23 de dez. de 2019, 15:34
— Lusa/AO Online
“Hoje,
vamos trabalhar durante o dia para que os voos sejam realizados para
além dos serviços mínimos, de modo a que as pessoas consigam todas
chegar a casa antes do Natal”, adiantou, em declarações à Lusa, o
dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil
(Sintac) Marco Soares. Contactado pela
Lusa, o porta-voz da companhia aérea açoriana SATA, António Portugal,
disse, no entanto, não ter confirmação da realização de voos para além
dos decretados como serviços mínimos.“Os
que foram cancelados não vão ser realizados. Pode haver a hipótese, se
houver alguma orientação nesse sentido, de uma reprogramação para
proteger alguns passageiros em alguns voos”, admitiu António Portugal,
sublinhando que essa hipótese “não está confirmada”. A
greve de três dias (de sábado a hoje) foi convocada pelo Sindicato
Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Sintac) e pelo Sindicato
dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (Sitema), afetando apenas os
voos inter-ilhas.O Tribunal Arbitral decretou a realização de 16 ligações no sábado, 18 no domingo e 22 hoje.De
acordo com a SATA, no primeiro dia de greve foram cancelados 15 voos e
no segundo dia oito, mas nos dois dias anteriores à greve o mau tempo
condicionou também várias ligações aéreas, entre as ilhas e com o
continente português, deixando cerca de 2.000 pessoas em terra.Segundo
o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil,
faltam ser reacomodados em voos antes da noite da consoada 240
passageiros. “Vamos suspender, entre
aspas, a nossa greve e pensar nas pessoas, porque é o mais importante
para nós”, salientou Marco Soares, alegando que nunca foi objetivo do
sindicato prejudicar “quem não tem qualquer culpa neste assunto”.Com
a realização de voos para além dos serviços mínimos hoje, e se as
condições meteorológicas o permitirem na terça-feira, há, segundo o
sindicalista, a possibilidade de todas as pessoas chegarem à ilha de
destino antes do Natal. “Se [as condições
meteorológicas] forem favoráveis, a realização desses voos
extraordinários vai permitir a todas as pessoas chegarem a casa”,
afirmou.Marco Soares disse, no entanto,
que “não houve qualquer acordo com a empresa”, nem mesmo “contacto com a
administração”, para que a greve fosse suspensa.“Da
parte dos técnicos de manutenção de aeronaves tudo fizemos para que
essa greve de três dias não existisse. Foi sempre a nossa vontade que
não chegasse. Da outra parte não houve essa mesma vontade e até houve a
afirmação de que não estavam minimamente preocupados com a greve no
Natal”, frisou.Os trabalhadores
reivindicam uma “valorização profissional”, alegando que há funcionários
“constantemente a sair” para outras companhias aéreas.“É
uma carreira que está muito valorizada no mercado e que a empresa não
quer reconhecer. E também há uma necessidade de fixar na SATA estes
trabalhadores, que têm uma certificação difícil de obter e que a empresa
está a deixar sair todos os anos, porque não paga de acordo com o que o
mercado está a indicar que deve pagar”, referiu o dirigente do Sintac
Filipe Rocha, em declarações à Lusa, no primeiro dia de greve.Os
técnicos de manutenção de aeronaves da SATA Air Açores já se
encontravam em greve à realização do trabalho noturno a efetuar das
24:00 às 08:00, bem como à prestação de trabalho extraordinário, desde
28 de outubro.Para a companhia aérea, as
reivindicações apresentadas “continuam a ser consideradas incomportáveis
pelo conselho de administração”, tendo em conta o “difícil contexto que
atravessam as empresas que constituem o grupo empresarial”.O grupo SATA fechou 2018 com um prejuízo de 53,3 milhões de euros, um agravamento de 12,3 milhões face ao ano de 2017.De
acordo com o relatório de contas do primeiro semestre de 2019, o grupo
registou prejuízos de 26,9 milhões de euros na Azores Airlines e de 6,6
milhões na SATA Air Açores nos primeiros seis meses do ano.