Técnico setubalense quer “potenciar” atletas para o futebol profissional
3 de set. de 2025, 12:43
— João Pedro Ferreira
Após um início de época positivo (duas vitórias e um empate, que colocam
a equipa do Santa Clara no segundo lugar da Série Sul da primeira fase
da I Divisão de Sub-19, com menos dois jogos que o líder Sporting) João
Nicolau mostra-se otimista. Ainda assim, destaca o tremendo equilíbrio
que marcará a prova, onde “todas as equipas podem obter um resultado
positivo independentemente do adversário”. O técnico natural de
Setúbal falou com o Açoriano Oriental após o apito final do jogo entre
os “encarnados” de Ponta Delgada e o Mafra, que se realizou no sábado,
dia 30 de agosto, no Campo de Jogos do Bom Jesus, em Rabo de Peixe.Quais são as expectativas para esta época, tendo em conta a valia dos adversários que irão encontrar na Série Sul da I Divisão?Eu
considero que o campeonato vai ser muito equilibrado. Todas as equipas
podem obter um resultado positivo, independentemente do adversário. O
reflexo disso foi o Benfica [atual último classificado com quatro pontos
em dois jogos], mesmo agora, ter empatado, 1-1, como o Belenenses
[quarto classificado, com sete pontos em quatro jogos]. [O Benfica], que
é campeão em título e que supostamente vai estar um 'patamar acima' dos
adversários. De resto, acho que vai ser um campeonato equilibrado, onde
qualquer uma das equipas pode passar ao Apuramento de Campeão [a II
Fase, que começa em janeiro de 2026].Quais os objetivos que foram
traçados pela direção, nesta época, não só ao nível dos resultados na
prova, mas também da potencialização dos jovens atletas e, em
particular, do jogador açoriano?O Santa Clara tem o objetivo de
potenciar atletas para chegarem ao futebol profissional e representarem
tanto a equipa de Sub-23 como a principal. Relativamente [à aposta no]
talento regional, é algo que a administração valoriza. A administração
quer potenciar o Santa Clara em si e os jogadores açorianos [11 atletas
de um total de 31], desde que eles tenham essa capacidade. Olhando
para a constituição dos “onzes” escalados para as três primeiras
partidas, destaca-se a presença regular de José Franco, lateral esquerdo
natural de São Miguel, que o ano passado alinhou pelos Sub-19 do Braga,
na competição. Será isto reflexo do maior potencial deste atleta? Acho
que há vários jogadores, aqui e inclusive no escalão de Sub-18, que têm
muito talento, muito potencial. A questão é estarem adaptados ao ritmo
desta I Divisão. [No caso do] Franco, já o ano passado era titular a
lateral esquerdo no Braga na I Divisão de Sub-19 [total de 1964 minutos
em 26 partidas] e, por isso, está num 'patamar acima', isto é, tem mais
rendimento neste momento, não tem necessariamente mais potencial que os
outros.Tratando-se de um treinador jovem, mas com experiência em
contextos exigentes de formação (antes, representara o Vitória de
Setúbal, onde ajudou a potenciar nomes como Hélio Varela, internacional
cabo-verdiano ou João Marques, internacional jovem luso) como avalia a
realidade que encontrou no Santa Clara? Quando falou em “estrutura
forte”, na sua apresentação, a que se referia concretamente? O que mais o
surpreendeu?O primeiro aspeto que me surpreendeu foi a forma como
fui recebido: a estrutura, organizada, recebeu-me com muita empatia e
profissionalismo. [Em termos de organização], na minha opinião, a
estrutura tem a visão certa: está a estabelecer alicerces fortes e a
[construir] infraestruturas para sustentar todo o seu processo formativo
e, assim, sustentar as equipas profissionais. Essa visão para a
formação surpreendeu-me muito. [A administração é constituída por]
pessoas que pensam o futebol da forma correta.Num plano mais
pessoal, como está a encarar esta segunda experiência fora da sua “zona
de conforto”, a primeira num ambiente insular?Eu deixei a minha
família, os meus filhos estão longe de mim, e deixei-lhes o meu suporte,
[pelo que] chego com uma ambição muito grande.