Teatro D. Maria II fecha para obras em 2023 e espetáculos vão andar pelo país
14 de dez. de 2021, 13:34
— Lusa/AO Online
O
anúncio foi feito numa conferência de imprensa para apresentação
do projeto de obras que serão realizadas no edifício deste teatro
situado no Rossio, em Lisboa, no âmbito do Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR) e do investimento destinado à valorização, salvaguarda
e dinamização do património cultural. De
acordo com a presidente do conselho de administração do Teatro Nacional
D. Maria II (TNDM), Cláudia Belchior, durante o próximo ano será lançado
o concurso público e o teatro será esvaziado, para iniciar as obras em
2023. A previsão é que o teatro reabra no início de 2024.Durante
o período de intervenção, todo o material e espólio do TNDM será
guardado em armazéns. No que respeita à programação, está desenhada para
percorrer todo o território nacional, começando no Norte e descendo
para o Sul, com passagem pelas regiões autónomas da Madeira e dos
Açores, conforme explicou o diretor artístico do teatro, Pedro Penim.Esta
itinerância dá continuidade à política que o TNDM tem desenvolvido de
promoção do contacto do público com as obras, tornando-o acessível a
todos, de acordo com os responsáveis.Além
da apresentação de clássicos, estão previstos espetáculos experimentais,
produções nacionais e propostas internacionais, espetáculos para
famílias e de mediação de públicos, entre outros, disse Pedro Penin,
considerando tratar-se de um “projeto ambicioso e desafiante”.O diretor artístico não quis adiantar para já que peças clássicas pretende apresentar.Durante
o encerramento do TNDM, os espetáculos serão articulados com a Direção
Geral das Artes e a recém-criada Rede de Teatros e Cineteatros
Portugueses.As obras estruturais previstas
para o edifício vão “mudar o paradigma dentro da instituição”,
considerou Cláudia Belchior, destacando tratar-se de uma “obra muito
ambiciosa”, que não se faz desde que o teatro reabriu em 1978 – depois
de 14 anos de reconstrução, na sequência do incêndio que em 1964
destruiu todo o seu interior – e que não se voltará a fazer tão cedo.O
projeto está a cargo do arquiteto Francisco Pólvora, da BJF
Arquitectos, gabinete de arquitetura responsável pelo desenho e
desenvolvimento do projeto, que está há dois anos a trabalhar com uma
vasta equipa de mais de 15 especialidades.De
acordo com Francisco Pólvora, o projeto de reconstrução manterá os
traços originais, mas com grandes inovações, que passam por centralizar
num único espaço vários serviços dispersos pelo teatro.Esta
área é a antiga sala de cenografia, localizada por cima da sala
principal, a sala Garrett, que, devido ao elevado pé direito, terá uma
mezzanine (com escadas laterais de acesso), onde vão estar quase todas
as estruturas do teatro, e um jardim de inverno.“A
nossa preocupação foi tirar partido do pé direito e da estrutura
elegante”, mantendo essa especialidade, e a “oportunidade de criar um
jardim de inverno, que estabeleça uma interface entre o interior e o
exterior”.Será, então, criada uma zona de
trabalho à volta do novo jardim de inverno, que será forrado a pedra
lioz, “como se a fachada do edifício entrasse no jardim”, explicou.A
zona da sala de costura vai ser completamente aberta e terá lanternins,
que farão a iluminação e ventilação do espaço, sendo visíveis do
exterior, a partir do largo da Igreja de São Domingos.A
abertura de janelas é, de resto, uma das apostas deste projeto que
pretende trazer ao teatro não só mais luz natural e ventilação, como
transparência.Essa intenção está patente,
por exemplo, na ideia de transformar as “zonas de arrumação” de adereços
e figurinos, existentes nos caminhos de acesso à antiga sala de
cenografia, em “vitrinas expositórias”, para serem visíveis por quem
passa pelo teatro.Além do sistema de
iluminação cénica e de som, vão também ser intervencionados os sistemas
de climatização, nomeadamente para melhor conservar o espólio guardado
no arquivo e na biblioteca.Um protocolo
assinado com a Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa
permitiu fazer um rastreamento a laser e um levantamento cromático da
sala e de outros espaços do teatro, com o objetivo de valorizar os
elementos decorativos, designadamente na Sala Garrett.A
livraria vai passar a integrar a bilheteira e será criado um módulo em
madeira que vai forrar as paredes e o teto, permitindo assim arrumar e
manter mais acessível maior quantidade de ‘stock’.Francisco
Pólvora destacou ainda a recuperação que será feita da fachada do
edifício e uma nova intervenção na iluminação com vista a uma maior
eficiência energética.Presente na
conferência de imprensa, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, lembrou o
passado recente de “dificuldades” que se refletem ainda na atualidade,
sublinhando a importância de “assumir este tempo como de mudança
positiva”.Segundo a governante, “o Plano
de Resolução e Resiliência é o maior estímulo para a cultura e um pilar
fundamental” para o desenvolvimento do país.As
verbas serão aplicadas na promoção da transição digital e da
digitalização, assim como na salvaguarda e dinamização do património,
estando previstas, neste âmbito, intervenções em 46 museus e monumentos e
em outros dois teatros nacionais.