TdC diz que Conta de 2024 da freguesia de Ponta Garça é “pouco credível e fidedigna”
Hoje 09:16
— Nuno Martins Neves
A Secção Regional dos Açores do Tribunal de Contas (SRATdC) considerou a
conta de 2024 da Junta de Freguesia de Ponta Garça “pouco credível e
fidedigna”, recusando a homologação do mesmo documento. O resultado da
auditoria foi tornado público ontem, pela entidade pública responsável
por fiscalizar as contas públicas, que adiantou que a abertura de um
processo de apuramento de responsabilidades financeiras dependerá da
avaliação do exercício do presente ano.Em causa está a conta de
2024, da responsabilidade de executivo liderado pelo presidente Rui
Amaral, pela secretária Cândida Machado e pelo tesoureiro Duarte de
Medeiros. Na auditoria da SRATdC, apesar da prestação da conta ter
respeitado os prazos legais e da referida junta de freguesia não ter sido alvo de ações de controlo pelo tribunal nos
últimos cinco anos, há documentos que se encontram incompletos ou que
não estão conforme as regras (como a ata de deliberação de aprovação de
contas), faltam atas onde constam as deliberações de apreciação e de
aprovação, dos órgãos executivo e deliberativo, relativas à integração
do saldo da gerência anterior e à alteração orçamental correspondente.Mas
não só: não foi remetido a este órgão fiscalizador o extrato bancário
de uma conta, não sendo possível ao SRATdC comprovar o saldo no final de
2024. O tribunal detetou divergências em mapas financeiros, como saldo
da gerência anterior, execução de receita e despesa e reconciliações
bancárias, bem como um inventário patrimonial incompleto.Por estes
motivos, o SRATdC entende que não é possível aferir se o cumprimento da
regra de equilíbrio foi cumprida pelo executivo. E o tribunal alerta:“A
prestação de contas com deficiências tais que impossibilitem ou
gravemente dificultem a sua verificação é suscetível de configurar
responsabilidade financeira sancionatória (...) e de determinar a
recusa da homologação da conta referente ao ano de 2024”.Assim, é
recomendado ao executivo de Ponta Garça que garanta coerência entre os
documentos, faça a devida reconciliação bancária e disponibilize a
informação completa e fidedigna.No entanto, a eventual determinação
de abertura de processo de apuramento de responsabilidades financeiras
só irá ocorrer durante a avaliação da prestação de contas relativas ao
ano em curso. O SRATdC irá, então, avaliar se o atual executivo,
liderado por Octávio Andrade, corrigiu os problemas detetados, se
cumpriu as recomendações, ou se, pelo contrário, permanecem as
irregularidades.