TCE fala em oportunidade perdida no digital e Portugal é 4.º país com menos verbas
PRR
3 de abr. de 2025, 16:57
— Lusa/AO Online
“O
Mecanismo de Recuperação e Resiliência [que financia os PRR] […] devia
ser a força transformadora para realizar a transição digital, mas esta
oportunidade não foi bem aproveitada”, pois “os países não foram
obrigados a dar prioridade a medidas que respondam às suas principais
necessidades digitais”, argumenta o TCE numa posição divulgada.Com
uma verba de 150 mil milhões de euros do ‘bolo’ de 650 mil milhões de
euros (valores de 2022), a parte digital do Mecanismo de Recuperação e
Resiliência é o maior meio de financiamento atual para a digitalização
da União Europeia (UE), mas segundo o TCE faltou “um enfoque
estratégico, uma vez que os Estados-membros não foram obrigados a dar
prioridade à afetação destes fundos a medidas que abordassem as
principais necessidades digitais previamente identificadas”.“Assim,
alguns Estados-membros dedicaram uma parte menor do seu financiamento
do Mecanismo de Recuperação e Resiliência a domínios em que o seu
desempenho era insuficiente, reduzindo assim o seu potencial para
contribuir eficazmente para a transição digital”, acrescenta o auditor
da UE no seu relatório.No regulamento
deste mecanismo, criado para ajudar os países da UE a recuperar dos
impactos económicos da pandemia de covid-19, estava previsto que os PRR
nacionais destinassem 20% do seu financiamento a reformas e
investimentos digitais e tal foi “aplicado corretamente”, segundo o TCE.Porém,
“constatámos também que o quadro de desempenho e os indicadores
utilizados para acompanhar os progressos não estavam bem alinhados com
os da estratégia digital da UE, limitando a sua capacidade de medir a
contribuição real destas reformas e investimentos para a transição
digital” e, por essa razão, este potencial “pode não ser plenamente
avaliado”, acrescenta o tribunal.Com base
nos dados do TCE referidos no relatório, no que toca ao financiamento
atribuído a medidas digitais nos PRR nacionais, Portugal era, em
dezembro de 2023, o quarto país da UE com menos fundos alocados, num
total de 4,5 mil milhões de euros (o equivalente a 21% do plano
português).Na área do digital, o PRR de
Portugal contém 2.460 marcos e 926 medidas referentes à área do digital,
numa execução atual de 25%.“Os desafios
digitais para Portugal incluem a necessidade de investir na transição
digital, nomeadamente no desenvolvimento de competências digitais, tanto
básicas como avançadas, na utilização de tecnologias digitais para
garantir a igualdade de acesso a uma educação e formação de qualidade e
para aumentar a competitividade das empresas. Isto é especialmente
relevante em Portugal, onde a economia se caracteriza por microempresas
concentradas em setores tradicionais”, pode ler-se no ‘site’ da Comissão
Europeia sobre o PRR português. Ao todo, o
plano tem um valor de 22,2 mil milhões de euros, com 16,3 mil milhões
de euros em subvenções e 5,9 mil milhões de euros em empréstimos do
Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que dizem respeito a 376
investimentos e a 87 reformas.Atualmente, o
país já recebeu 8,49 mil milhões de euros em subvenções e 2,9 mil
milhões de euros em empréstimos e a taxa de execução do plano é de 32%.