Taxistas dos Açores admitem pouco interesse na aquisição de viaturas elétricas
12 de out. de 2024, 08:40
— Lusa
“O
interesse dos nossos associados na mudança para carros elétricos não é
muito grande”, admitiu Gualter Silva, da Associação de Taxistas do
Faial, ouvido hoje na comissão de Economia do parlamento açoriano,
reunida em Ponta Delgada, a propósito de uma proposta do PS para criar
medidas de incentivo à formação e à descarbonização no setor do táxi no
arquipélago.Segundo Gualter Silva, o preço
das viaturas elétricas “é muito elevado” e o incentivo à aquisição
deste tipo de automóveis é ainda “muito reduzido”, o que faz com que
“apenas 10% dos taxistas do Faial estejam com vontade” de fazer a
transição para viaturas menos poluentes.“Além
disso, não há postos de carregamento para táxis cá na ilha, nem
oficinas especializadas que garantam a manutenção e a assistência para
viaturas elétricas”, lembrou o representante da Associação de Taxistas
do Faial, considerando que são questões que necessitam de ser
salvaguardadas.A bancada do PS na
Assembleia Legislativa dos Açores propõe reforçar os incentivos à
aquisição de viaturas elétricas para o setor de táxi da região e
aumentar o número de postos de carregamento para estes profissionais, de
forma a tornar os veículos “menos poluentes e mais sustentáveis”.“Isto
é uma mudança radical, passar de combustão para viaturas elétricas”,
alertou António Feleja, da Associação de Profissionais de Táxi de Ponta
Delgada, também ouvido hoje pelos deputados.“Muitos
taxistas olham ainda com desconfiança”, devido à pouca autonomia das
viaturas elétricas, que não irá além dos 300/400 quilómetros e também
devido à validade das baterias e ao custo elevado que os veículos ainda
têm no mercado automóvel, acrescentou, considerando que o apoio de dez
mil euros por viatura, atualmente previsto para os profissionais de
táxis que pretendam adquirir veículos elétricos e abandonar os carros a
combustão, “é muito pouco”.Em sentido
contrário, o presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma
dos Açores (AMRAA), Alexandre Gaudêncio, considerou a proposta
socialista positiva, por permitir uma redução do número de veículos a
combustão, com a consequente vantagem que isso traz, em termos
ambientais.“Tudo o que são incentivos à
mobilidade elétrica, têm o aval positivo da AMRAA”, sublinhou o autarca
social-democrata, alertando, no entanto, para a necessidade de ser
feito, a par da alteração da legislação, um reforço do número de postos
de carregamento para táxis, que ainda são poucos em todas as ilhas do
arquipélago.O presidente do Conselho de
Administração da Empresa de Eletricidade dos Açores (EDA), Paulo Jorge
André, rejeitou, contudo, que o número reduzido de postos de
carregamento elétrico na região possa colocar em causa o objetivo de
aumentar a mobilidade elétrica e reduzir a descarbonização na região.“A
EDA não é um interveniente direto neste processo, mas temos previstas
parcerias com vários ‘players’, para expandir o número de postos de
carregamento para viaturas elétricas nos Açores”, explicou o
administrador da elétrica açoriana, igualmente ouvido na comissão de
Economia.Paulo André lembrou, no entanto,
que as viaturas elétricas devem ser carregadas, preferencialmente
durante a noite, através de “carregamentos lentos” que custam ao
consumidor 21 cêntimos por quilowatt/hora, em vez de postos de
carregamento rápido, que têm um custo de 79 cêntimos/hora.“Do
ponto de vista da EDA, a opção pelos carregamentos lentos, durante a
noite, é sempre mais vantajosa”, insistiu o administrador da EDA.