Táxis em São Miguel perdem clientes e temem inverno
Hoje 08:55
— Filipe Torres
A Associação de Táxis de São Miguel (ATSM) vê com preocupação os próximos meses para o setor devido à quebra de clientes. Em
declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da Associação de Táxis
de São Miguel, Paulo Botelho, salienta que a atividade está a passar por
uma mudança profunda com a entrada das plataformas de TVDE.“O setor
do táxi, neste momento, está em plena transformação. A curto prazo, o
táxi vai sofrer muito com essa transformação. Com a entrada dos TVDE no
mercado, o que tem-se notado, de facto, é uma quebra de serviço enorme”,
afirma o presidente da associação.Para o dirigente associativo, a
expansão dos TVDE está a acontecer “demasiado depressa” e defende, por
isso, a limitação do número de licenças TVDE. “O setor do TVDE está a
crescer numa velocidade tremenda e já alertei várias vezes que era
preciso regular o setor para que não haja excesso de oferta”,
salientou. O presidente da associação realça ainda que não é contra a
integração dos TVDE na Região, mas defende que é urgentemente e
necessária a regulação das licenças dos TVDE.“Eu não sou contra as
licenças de TVDE. Sou contra haver um excesso de licenças. Tem de
existir um número máximo de veículos, ajustado à nossa população, porque
não podemos contar com o turismo durante todo o ano, porque sabemos que
o turismo é sazonal”, disse.Com a entrada desses operadores, o
setor do táxi está a viver uma fase que não vivia antes. “Antes da
entrada dos TVDE havia muita procura e pouca oferta [em São Miguel].
Agora está precisamente ao contrário: há pouca procura e há muita
oferta”, alerta o dirigente associativo.Uma
situação que afetou várias atividades económicas dos Açores: a paragem
completa da operação da Ryanair no arquipélago. Um problema que também
está a afetar os taxistas de São Miguel. “Com a saída da Ryanair há cada vez menos pessoas a pedir táxi”, disse Paulo Botelho.Com
menos turistas e e com uma menor quantidade de pessoas a pedir
serviços, os taxistas salientam que têm tido uma grande diferença no
número de serviços este ano.“Temos cerca de metade dos serviços em comparação com os últimos dez anos”, realçou o presidente da ATSM.Por
isso, a classe teme os próximos tempos: “Aquilo que é perspetivável é
que não se avizinham tempos muito bons, porque a realidade está aí à
vista. Estamos em pleno verão e as coisas estão completamente diferentes
do que foram nos últimos dez anos”.Daqui a uns meses estaremos de volta ao inverno e, por isso, a classe teme para os possíveis efeitos.“Com
a paragem da operação da Ryanair, o inverno perspetiva-se de problemas
económicos gravíssimos”, salientou o dirigente associativo.Transição de taxistas para TVDE e licenças em riscoCom
os desafios atuais e futuros dos taxistas, Paulo Botelho disse ainda
que há um “número considerável” de taxistas em São Miguel que já
transitaram na classe. “À volta de uns 15 motoristas já passaram de
um lado para o outro desde a integração dos TVDE”, disse o presidente da
associação.Para o entrevistado, estas transições podem aumentar nos
próximos tempos: “A tendência que eu vejo é que quem não é proprietário
do carro prefere ir para os TVDE, faz uma licença (...) e transita para
o outro lado”, salientou. “Se isso continuar da forma que está,
acredito que num intervalo de uns dois, três anos, haverá licenças de
táxi que vão parar. Não tenho dúvidas nenhuma disso, porque a realidade
está à vista, e há muitas pessoas a transitar de um lado para o outro”,
acrescentou. E deixou ainda um recado para o futuro: “O meu receio é
que chegue o dia em que muitos proprietários não consigam trespassar as
licenças de táxi, porque já não haverá interessados. O outro lado [os
TVDE] é muito mais fácil de entrar”.Relativamente
à descarbonização da classe, o dirigente associativo salientou que o
Governo Regional concedeu apoios financeiros nesse âmbito, mas deixou
críticas às atuais infraestruturas de carregamento rápido. “(...)
Praticamente está tudo avariado. Nem os municípios nem o Governo
Regional estão interessados nisso e as pessoas veem-se atrapalhadas para
carregar os carros”, critica o presidente da associação.Paulo
Botelho realça que ainda consegue carregar um carro em casa, mas as
restantes duas viaturas dependem das parcerias com entidades, admitindo
que “não pode passar a vida nisso”. O entrevistado pretende, por
isso, uma resolução rápida para resolver esta situação, salientando que
“sem eletricidade não se consegue ser produtivo”, o que obriga os
taxistas a perder tempo e, consequentemente, serviços.Relativamente
aos jovens, o presidente da associação salienta que é crucial continuar a
atrair jovens para garantir a continuidade e sustentabilidade do setor
dos táxis em São Miguel.Por fim, o presidente da Associação de Táxis
de São Miguel pede ao Governo Regional a entrada de uma nova companhia
aérea lowcost na Região, com o objetivo de mitigar a “quebra terrível”
dos últimos meses para o setor.