Taxa mortalidade baixou nos cancros de cólon, estômago, próstata e pulmão e manteve na mama
4 de fev. de 2025, 11:44
— Lusa/AO Online
Segundo um dos
documentos divulgados pelo PNDO, da Direção-Geral da Saúde (DGS),
em Portugal, a mortalidade por cancro ao longo dos últimos cinco anos
tem mostrado “uma taxa de mortalidade padronizada com uma tendência
decrescente”, independente da faixa etária, sendo consistentemente mais
alta nos homens.Quanto à incidência (novos
casos), o documento refere que em 2018 e 2019 os dados passaram a ser
compilados pelo Registo Oncológico Nacional, tendo havido uma alteração
na metodologia de colheita, pelo que o ano de 2018 marca uma “quebra de
série”.Por outro lado, indica ainda que a
redução da incidência em 2020 poderá estar relacionada com o impacto da
pandemia de covid-19 no diagnóstico das doenças oncológicas. No período
2017 – 2019, confirma-se um aumento da taxa de incidência.Portugal tem em vigor três rastreios de base populacional: cancro da mama, cancro do colo do útero e cancro do cólon e reto.No
que se refere ao cancro da mama, o documento hoje divulgado refere que
2023 Portugal superou a meta prevista pelo European Beating Cancer Plan
(90% da população convidada), com 99% da população convidada. A taxa de
adesão ao rastreio subiu para 56% (51% em 2022), com um total de 440.298
mulheres rastreadas (413.300 no Continente, 11.927 nos Açores e 15.071
na Madeira).Contudo, a região de Lisboa e
Vale do Tejo apresenta a mais baixa taxa de adesão (anual de
31,9&%), que o diretor do PNDO justifica com o facto de haver mais
mulheres com subsistemas de saúde que acabam por ser seguidas no privado
e por ter ainda apenas havido "uma primeira passagem" do rastreio.No
rastreio do colo do útero, a taxa de cobertura populacional em Portugal
continental e nos Açores baixou para 59,2% (era 64%) e a taxa de adesão
ao rastreio rondou os 94%, com um total de 310.976 mulheres rastreadas
(301.477 no Continente, 9.499 nos Açores). Do total de mulheres rastreadas, 13,5% (20.206) foram referenciadas para cuidados hospitalares. O
rastreio do cancro do cólon e reto tem com uma cobertura geográfica,
por unidade funcional, de 89% no território continental e de 100% nos
Açores. Com uma população elegível média de cerca de 1.5 milhões de
utentes/ano, a taxa de cobertura foi de 32% e a taxa de adesão a este
rastreio aumentou para 53,5% face a 2022 (41%), com um total de 277.540
utentes rastreados (270.365 no Continente e 7.175 nos Açores).Dos utentes rastreados, em Portugal continental e nos Açores, 685 foram referenciados para cuidados hospitalares.Em
2023, a Região Autónoma da Madeira iniciou um programa piloto deste
rastreio, com uma cobertura geográfica de 8% dos centros de saúde da
região, tendo sido rastreadas 85 utentes.No
documento hoje divulgado, o PNDO assume que, nos próximos anos, será
essencial melhorar os sistemas de informação que suportam as atividades
de rastreio. “A partilha de informação
entre os sistemas de monitorização dos rastreios e o Registo Oncológico
Nacional (RON) é essencial para uma visão completa de todo o processo”,
considera.Quanto aos cuidados
hospitalares, em 2022 foram registados 801.867 internamentos no Serviço
Nacional de Saúde (SNS), dos quais 69.304 (8,6%) correspondem a utentes
com diagnóstico principal de neoplasia maligna, tendência que se tem
mantido ao longo dos últimos cinco anos.Entre 2019 e 2023 aumentou cerca de 60% o número de doentes tratados com radioterapia, passando de 76.201 para 122.291.O
relatório indica ainda que o número de doentes tratados com
quimioterapia e imunoterapia tem vindo a aumentar “gradual e lentamente”
nos últimos anos, sendo na sua quase totalidade executados em regime de
ambulatório. Em 2022 foram tratados mais de 350.000 doentesO
cancro é a principal causa de morte dos cidadãos da União Europeia (UE)
com menos de 70 anos e a segunda causa de morte quando considerados
todos os cidadãos da UE.