Taxa de conclusão do ensino secundário em 2024/25 diminuiu 10,7 pontos percentuais
20 de abr. de 2026, 09:59
— Lusa/AO Online
De acordo com o estudo “Quebra de
Ingressos no Acesso ao Ensino Superior em 2025/26. Diagnóstico,
Evidência e Análise”, realizado pelo gabinete da secretária de Estado do
Ensino Superior, a que o jornal Público teve acesso, em 2025 houve uma
diminuição de seis mil colocados na 1.ª fase no concurso nacional de
acesso ao ensino superior.“Se, em 2023/24,
90,1% dos estudantes dos cursos científico-humanísticos tinham
concluído o secundário, essa percentagem desceu para 79,4% no ano
passado”, segundo o estudo que analisa a quebra de entradas no ensino
superior 2025/26.Segundo o estudo, as
alterações, “refletem-se, de forma quase direta, no universo potencial
de candidatos e, consequentemente, no número de colocações, dada a idade
média da entrada no ensino superior ser perto da idade de conclusão do
ensino secundário”.“É uma diminuição
próxima de 10% no total de novos inscritos (menos 8.000 face a 2024) no
conjunto do sistema, que inclui o concurso nacional e outros regimes de
acesso, e que mostra que a quebra “não foi compensada pelas fases
subsequentes nem pelas restantes vias de acesso”, é referido no estudo.Os
valores ficaram abaixo dos níveis pré-pandemia, interrompendo uma
trajetória de crescimento, podendo, de acordo com o estudo, “pôr em
causa a meta do país de ter 50% dos adultos entre os 25 e os 34 anos com
um diploma de ensino superior em 2030”.O
estudo aponta que além da diminuição do número de diplomados do ensino
secundário, a “volatilidade interanual das classificações dos exames
nacionais e o aumento do número mínimo de provas de ingresso
contribuíram para restringir o universo de candidatos elegíveis”.A
quebra pode igualmente ser explicada com as “fragilidades no atual
sistema de ação social que limitam o acesso”, uma redução progressiva da
população jovem e “elevada dependência do sistema português de
ingressos imediatos pós-secundário”.Há
também mudanças no modelo de conclusão do secundário e a exigência
mínima de duas provas de ingresso, que têm sido apontadas como as
principais responsáveis pela quebra.“Tendo
por base dados do concurso nacional de acesso entre 2015 e 2025, esta
exigência foi responsável por cerca de 46% da quebra na 1.ª fase de
2025/26, “sem ganhos demonstrados em sucesso académico”, segundo o
relatório.Ainda no que diz respeito à
conclusão do secundário, entre 2019/20 e 2023/24, as taxas melhoraram
devido às regras excecionais da pandemia em que os alunos tinham apenas
de realizar os exames nacionais de que necessitassem para ingressar no
superior (não eram obrigatórios para conclusão dos cursos
científico-humanísticos).O estudo refere
que a evolução foi “paralela a um crescimento do número de colocados,
que rondou os 50 mil na 1.ª fase do concurso nacional”.De
acordo com o documento, ainda assim “não é possível concluir que a
diminuição da taxa de conclusão do ensino secundário se deveu
exclusivamente à alteração do número mínimo de exames nacionais”.“Até
porque a taxa de conclusão nos cursos profissionais também diminuiu e
estes estudantes não fazem exames nacionais para a conclusão deste nível
de ensino”, segundo o relatório.