Taxa de abandono escolar 18-24 anos nos Açores é a mais alta da Europa
3 de fev. de 2022, 11:21
— Lusa/AO Online
“Em
2020, acontecem duas coisas muito preocupantes. A taxa regional é o
triplo da média nacional, por um lado, e, por outro lado, infelizmente
torna-se a taxa mais alta de entre todas as regiões da União Europeia”,
afirmou, em declarações aos jornalistas em Angra do Heroísmo, à margem
do Fórum da Educação, integrado no Conselho Coordenador do Sistema
Educativo.Segundo o sociólogo, é sobretudo
“preocupante” a estagnação da taxa de abandono escolar precoce de
educação e formação entre os 18 e os 24 anos, que em 2020 atingia os 27%
na região, quando a média do país era de 8,9%.“Até
2017, os Açores acompanhavam a tendência nacional de uma forma muito
paralela de descida desta taxa, mas a partir de 2017 a taxa nacional
continua a descer e a regional estabiliza”, explicou.“As
outras regiões continuam a descer e a Guiana francesa, que era a mais
alta, já está ligeiramente abaixo do valor dos Açores”, acrescentou.Em causa estão jovens entre os 18 e os 24 anos, “que já deixaram o sistema de ensino e não completaram pelo menos o 12.º ano”.Para o sociólogo, é importante estudar as causas deste fenómeno e promover o sucesso escolar para travá-lo.“O
problema é conseguir que estes jovens tenham mais sucesso escolar, para
quando chegarem aos 18 anos e estiverem a pensar em deixar a escola já
tenham o 12.º ano, ou até continuem um pouco mais”, defendeu.O especialista lembrou que os Açores são “a região portuguesa onde há menos gente com o ensino superior”.A
proposta do Governo Regional de criação de uma estratégia da Educação
para a década é vista com bons olhos por Fernando Diogo, que alerta
ainda assim para o perigo de o programa se focar demasiado nas
infraestruturas e nas condições laborais dos professores.“Uma
primeira ameaça é ficar refém das reivindicações laborais dos
professores, que são muito importantes, obviamente, mas que muito
facilmente se sobrepõem a tudo o resto graças à dinâmica reivindicativa e
capacidade de intervenção pública dos sindicatos”, frisou.O
investigador criticou por outro lado o “excessivo foco” nas construções
escolares, alegando que as verbas da Educação no Plano e Orçamento da
Região são praticamente destinadas às infraestruturas.“É
bom termos boas escolas, mas isso não é de todo importante, nem
decisivo, para a questão que é fundamental, que é a construção do
sucesso escolar dos alunos nas suas várias componentes”, apontou.Fernando
Diogo propõe uma estratégia com foco nos alunos e para isso defende uma
maior aposta na “organização das escolas, na formação pós-escolar dos
professores e na supervisão do trabalho dos professores”.“O
trabalho dos professores é totalmente decisivo para o sucesso escolar
dos alunos, num contexto em que nós também sabemos que o principal
preditor do sucesso escolar dos alunos é a escolaridade da mãe”,
avançou.“Num contexto de uma região
autónoma onde as escolaridades são baixas, podemos esperar resultados
baixos dos alunos e se nós queremos quebrar esse problema terá de ser
por via do trabalho dos professores e da organização das escolas”,
acrescentou.Questionado sobre o programa
Pro-Sucesso, implementado pelo anterior Governo Regional, o sociólogo
reconheceu que teve “inúmeras coisas positivas e importantes”.“É
preciso de facto sobretudo organizar melhor e não tanto deitar fora um
trabalho que já está feito, porque recomeçar será ainda pior”, apelou.