Tarifas sobre importações a anunciar por Trump são “dia da recessão”
2 de abr. de 2025, 19:55
— Lusa
“Trump
e os republicanos da Câmara dos Representantes não estão a fazer nada
em relação à crise dos preços nos Estados Unidos”, disse o congressista
Hakeem Jeffries numa conferência de imprensa no Congresso. “As tarifas vão levar a preços mais altos” no país, adiantou o líder da minoria democrata na câmara baixa do Congresso. O
líder da minoria no Senado, o democrata Chuck Schumer, acusou o
Presidente de estar a tirar dinheiro às famílias norte-americanas com
medidas como o aumento de tarifas. “Em que
tipo de bolha vive este homem que não compreende que, quando uma
família média é informada de que vai ter de pagar mais 5.000 dólares
pelas coisas que compra, não pode comprar um carro novo, ou ir de férias
como planeou durante todo o ano”, disse Schumer à comunicação social. O
senador referiu-se especialmente às taxas que o Presidente poderia
aplicar ao Canadá, país com o qual o Presidente tem travado uma batalha
comercial desde o seu regresso à Casa Branca. Depois
de Donald Trump ter anunciado nos últimos meses aumentos de 25% dos
direitos aduaneiros sobre as importações de aço, alumínio, automóveis e
peças de automóveis, deverá esta noite anunciar novas taxas que podem
ascender a 20%, sobre a maioria das importações, no que chamou de “Dia
da Libertação”. Trump quer agora implementar taxas idênticas às que são aplicadas aos produtos norte-americanos exportados. A Casa Branca (presidência norte-americana) referiu na terça-feira que as novas tarifas devem entrar em vigor no imediato. A
04 de março, Trump impôs tarifas de 25% sobre as importações do Canadá e
do México, mas estabeleceu uma moratória de um mês sobre os produtos
provenientes destes dois países abrangidos pelo acordo de comércio livre
entre estes países. Ainda hoje deverá
ser votada no Congresso uma resolução apresentada pelo senador democrata
Tim Kaine contra os direitos aduaneiros sobre as importações
canadianas, que, segundo Schumer, deverá ter o voto favorável de alguns
republicanos. Para ser aprovada, a medida terá de ultrapassar a barreira dos 51 votos. Atualmente, há 53 republicanos e 47 democratas no hemiciclo. Embora
não se conheçam os detalhes de como serão aplicadas as “tarifas
recíprocas”, dirigidas aos países que impõem barreiras aos produtos e
serviços norte-americanos, poucas horas depois de serem anunciadas,
espera-se que a União Europeia possa ser um dos afetados por estas novas
imposições. A presidente do Banco
Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que as tarifas a
anunciar hoje pelo Presidente dos Estados Unidos vão “desestabilizar o
mundo do comércio, tal como o conhecemos”. Numa
entrevista ao programa de rádio irlandês “The Pat Kenny Show”, Lagarde
disse que o impacto do anúncio das tarifas “não será bom para aqueles
que impõem as tarifas nem para aqueles que retaliam”. “A
partir de hoje, altura em que deverão ser anunciadas, não sabemos
realmente qual será o acordo para o resto do mundo, o que sabemos é que
não será bom para a economia global”, afirmou. De
acordo com a presidente do BCE, “a densidade e a durabilidade do
impacto [das tarifas] variam consoante o seu âmbito, os produtos a que
se destinam, a sua duração e a existência ou não de negociações”.