Tarifa Açores custou 18,9ME desde 2021 e atrasos no pagamento oneram SATA
3 de jan. de 2025, 15:00
— Lusa/AO Online
Segundo
uma auditoria do TdC, a que a agência Lusa teve acesso, a Tarifa
Açores, um apoio criado pelo Governo Regional que
permite viagens áreas a 60 euros (ida e volta) para residentes, custou
18,9 milhões de euros entre 2021 e 2024 “com referência às resoluções
aprovadas até 2023”.De acordo com o
relatório, apesar do regulamento do subsídio prever que a compensação do
Governo Regional à SATA seja realizada num prazo de 15 dias, foi
“registado um atraso médio no prazo de pagamento de 30 dias”, o que
onera a tesouraria da companhia aérea.“Os
atrasos nos pagamentos oneram a gestão financeira interna de tesouraria
da SATA, afigurando-se pertinente reconsiderar a morosidade e exigência
do atual sistema implementado de faturação ao Governo Regional, a par da
necessidade de reforçar a transparência”, lê-se no documento.A
Tarifa Açores entrou em vigor em junho de 2021 e foi uma das bandeiras
de José Manuel Bolieiro (PSD) durante a campanha das eleições regionais
de 2020.O TdC considera a medida como
“imediata, abrangente e desburocratizada” e assinala que, em 2023, cerca
de 333,798 mil passageiros beneficiaram do apoio, o que representa um
crescimento de 19% face a 2022.“As ilhas
que mais movimentaram passageiros ao abrigo da Tarifa Açores foram as
ilhas de São Miguel e Terceira. Em termos relativos, assinala-se, em
2023, o crescimento nas ilhas do Corvo, Faial, Pico e Flores”, detalham.Os
juízes realçam que o “desenho” da Tarifa Açores não foi acompanhado por
“estudos preparatórios que incluíssem, nomeadamente, uma análise
financeira, económica e social”, nem “foram definidas metas nem
indicadores de desempenho”, o que “compromete a avaliação da medida”.O
tribunal destaca que “não foi apurada a existência de qualquer ação
fiscalizadora” por parte da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas desde a criação da medida e avisa que existe uma
“duplicação de tarefas” no interior daquele departamento governamental
que atua “simultaneamente como fiscalizado e fiscalizador”.“Impõe-se
que as competências de fiscalização sejam atribuídas a uma terceira
entidade, que assegure que as obrigações relativas ao cumprimento dos
deveres de informação sobre o funcionamento do subsídio, dos deveres de
informação aos titulares de dados”, defendem.O
TdC salienta também que os procedimentos relativos ao tratamento de
dados pessoais dos passageiros residentes carecem de aperfeiçoamento”.O
Governo Regional revelou em agosto de 2024 que, durante o primeiro
semestre daquele ano, foram realizadas 163 616 viagens de ida e volta de
residentes interilhas com a Tarifa Açores, permitindo à SATA faturar
4,1 milhões de euros.