TAP reencaminha passageiros que voavam hoje para Caracas para outras companhias
18 de fev. de 2020, 15:18
— Lusa/AO Online
“A
TAP cumprirá a legislação em vigor, transportando, através de outras
companhias aéreas, os passageiros que regressariam a Caracas no voo de
hoje. A companhia está a avaliar soluções para os milhares de
passageiros que tinham reservas nos voos seguintes”, adiantou a
companhia aérea. Esta segunda-feira, a TAP
disse “não compreender” a suspensão por 90 dias de voos para a
Venezuela que lhe foi aplicada e garante que esta é uma “medida
gravosa”, que prejudica os passageiros. “A
TAP não compreende as razões desta suspensão da operação para a
Venezuela por 90 dias, uma vez que cumpre todos os requisitos legais e
de segurança exigidos pelas autoridades de ambos os países”, salienta
fonte oficial da empresa.“Trata-se de uma
medida gravosa que prejudica os nossos passageiros, não tendo a
companhia sequer tido hipótese de exercer o contraditório”, acrescenta a
fonte oficial da companhia aérea. O
Governo venezuelano anunciou na segunda-feira a suspensão por 90 dias
das operações no país da companhia aérea portuguesa, “por razões de
segurança”, após acusações de transporte de explosivos num voo oriundo
de Lisboa.“Devido às graves
irregularidades cometidas no voo TP173, e em conformidade com os
regulamentos nacionais da aviação civil, as operações da companhia aérea
TAP ficam suspensas por 90 dias”, disse o ministro dos Transportes da
Venezuela, Hipólito Abreu, na conta da rede social Twitter.Na
passada semana, o Governo venezuelano acusou a TAP de ter violado
“padrões internacionais”, por alegadamente ter permitido o transporte de
explosivos e por ter ocultado a identidade do líder da oposição
venezuelana, Juan Guaidó, num voo para Caracas. Segundo
o Governo venezuelano, Juan Marquez, tio de Guaidó que acompanhava o
sobrinho nesse voo, transportou “lanternas de bolso táticas” que
escondiam “substâncias químicas explosivas no compartimento da bateria”.O
Governo português pediu um inquérito para averiguar a veracidade das
acusações que envolvem a transportadora aérea portuguesa, dizendo não
ter qualquer indício de irregularidades no voo que transportou Marquez e
Guaidó.Hoje, o ministro dos Negócios
Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou “inamistosa” e
“injustificada” a decisão das autoridades de Caracas. “Completamente
infundamentada e injustificada. Não vejo nenhuma espécie de
justificação, seja pelo histórico da TAP na Venezuela, pelo muito que a
TAP já deu e por não haver nenhum indício. Por não ter sido apresentado
nenhuma prova que seja possível de escrutinar de forma objetiva, que não
sejam apenas alegações”, disse hoje à Lusa o ministro dos Negócios
Estrangeiros.Por sua vez, o Presidente da
República, Marcelo Rebelo de Sousa, repudiou a decisão das autoridades
venezuelanas, considerando-a injusta, inaceitável e incompreensível.Em
declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, o chefe de
Estado subscreveu a posição de Santos Silva, "considerando
incompreensível aquilo que é noticiado como sendo uma possível suspensão
de voos da TAP, que tem efeitos reputacionais para a TAP", bem como
"para Portugal".