Talibãs rejeitam regresso dos Estados Unidos à base de Bagram
Afeganistão
19 de set. de 2025, 11:14
— Lusa/AO Online
Situada
a 60 quilómetros a norte da capital Cabul, a base de Bragam passou para
o controlo dos talibãs quando os Estados Unidos se retiraram do
Afeganistão em 2021, após duas décadas de ocupação do país do centro da
Ásia.Trump disse na quinta-feira, em
Londres, que os Estados Unidos estavam a tentar recuperar o controlo de
Bagram, embora sem dar pormenores, alegando que a base se situa “a uma
hora de onde a China fabrica as armas nucleares”.“Os
afegãos não aceitaram uma presença militar [estrangeira] ao longo da
história”, respondeu hoje o diretor do Departamento Político do
Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zakir Jalali.“Essa
possibilidade foi totalmente rejeitada durante as conversações em Doha e
o subsequente acordo”, declarou, citado pela agência de notícias
espanhola Europa Press.Jalali referia-se
ao acordo de paz assinado pelos talibãs e pela primeira Administração
Trump em fevereiro de 2020, que viria a condicionar a retirada
norte-americana em agosto de 2021, segundo alegou o então Presidente Joe
Biden.O dirigente talibã não rejeitou,
contudo, a cooperação com os Estados Unidos e afirmou que “as portas
estão abertas a outras formas de interação”.“Afeganistão
e Estados Unidos devem interagir e podem ter relações económicas e
políticas baseadas no respeito mútuo e em interesses partilhados,
independentemente de uma presença militar norte-americana no
Afeganistão”, escreveu nas redes sociais.Também
a China reagiu hoje às declarações de Trump, com o porta-voz da
diplomacia chinesa Guo Jiakun a afirmar que “o futuro do Afeganistão
deve estar nas mãos do povo afegão”. Guo
criticou qualquer propósito de “exagerar tensões e gerar confrontação na
região”, e disse que a China deseja que “todas as partes desempenhem um
papel construtivo na promoção da paz e da estabilidade regionais”. A
base de Bagram foi construída pela União Soviética na década de 1950,
tornando-se a principal base nos anos de 1980 durante a ocupação do
Afeganistão (1979-1989).Os Estados Unidos
assumiram o controlo da base em 2001, quando invadiram o país por o
regime do grupo fundamentalista islâmico ter acolhido o líder da
Al-Qaida, Osama bin Laden, na sequência dos atentados do 11 de Setembro.Bagram
encontrava-se em ruínas depois de ter sido abandonada, mas os
norte-americanos reconstruíram-na e acabou por crescer até cerca de 77
quilómetros quadrados.Com a retirada das
tropas norte-americanas e de aliados ocidentais, os talibãs, que
voltaram ao poder em Cabul, tomaram a base, dotada de duas pistas, e o
vasto equipamento militar que ali foi deixado.Trump
criticou na quinta-feira o que descreveu como “desastre total” da
retirada apressada das tropas norte-americanas e internacionais perante o
avanço dos talibãs e depois do acordo de Doha.Nesse
contexto, lamentou que a base de Bagram, “uma das maiores do mundo” e
símbolo da presença internacional no Afeganistão, tivesse sido cedida “a
troco de nada”.“Vamos tentar recuperá-la.
Isso poderia ser uma pequena exclusividade [para os Estados Unidos]”,
disse, sugerindo de seguida um possível acordo com os talibãs.“Eles precisam de coisas de nós”, afirmou durante uma conferência de imprensa em Londres.Trump
já tinha afirmado em fevereiro que a base estaria nas mãos da China, o
que foi negado pelos talibãs, que também descartaram na altura a
possibilidade de Bagram voltar a ser controlada pelos Estados Unidos.“Não
colocaremos o nosso território nas mãos de nenhum país. Bagram está nas
mãos das nossas forças, não da China”, respondeu então o porta-voz
talibã e vice-ministro da Informação, Zabihullah Mujahid.“Controlar Bagram é um sonho. Os Estados Unidos devem esquecer esta ideia”, acrescentou na altura Mujahid.