Talibãs proíbem por lei todas as manifestações no país
Afeganistão
Hoje 17:28
— Lusa/AO Online
O diploma, aprovado pelo
líder supremo talibã, Hibatullah Akhundzada, é composto por cinco
capítulos e 53 artigos, segundo uma cópia oficial fornecida à agência de
notícias espanhola EFE pelo Ministério da Justiça local.“Qualquer
tipo de manifestação em território afegão é proibida”, estipula o
artigo 50.º, formalizando uma prática já em vigor desde o regresso dos
talibãs ao poder, em agosto de 2021.Nos
primeiros meses após a queda de Cabul, os protestos continuaram, muitos
liderados por mulheres, contra as restrições à educação, ao emprego e à
participação pública.As autoridades
responderam com detenções, dispersão de ajuntamentos e aumento das
restrições à convocação de manifestações, até reduzir de forma drástica
os protestos públicos organizados contra o regime.A
nova lei elimina agora qualquer enquadramento jurídico para esse tipo
de mobilização, proibindo completamente as manifestações, sem distinguir
entre protestos pacíficos, marchas políticas e outras concentrações
reivindicativas.Denominando a polícia com o
termo árabe “Shurta”, a lei exige ainda que os seus agentes cooperem
com o Ministério da Propagação da Virtude e da Prevenção do Vício na
aplicação de restrições à exibição de imagens nas ruas e cruzamentos. Entre
os meios cuja utilização é autorizada para manter a ordem estão os
canhões de água, algemas, bastões de borracha e elétricos, escudos,
arame farpado, barreiras metálicas, armas de fogo, munições e
explosivos, de acordo com o artigo 37.º.O
diploma permite ainda o uso de armas de fogo durante levantamentos,
crimes à mão armada contra a segurança e confrontos armados.Outro
artigo restringe a divulgação de informações por parte dos agentes da
autoridade, proibindo-os de revelar dados cuja difusão possa causar
danos a pessoas ou ao “interesse público”.Em
junho, um protesto de cidadãos em Herat contra a detenção arbitrária de
dezenas de mulheres foi violentamente reprimido pelas forças talibãs,
fazendo pelo menos dois mortos e mais de 20 feridos, segundo a ONU.A
nova lei formaliza, assim, parte do sistema policial desenvolvido pelos
talibãs durante os cinco anos desde que regressaram ao poder no
Afeganistão e consagra explicitamente proibições e práticas que até
agora eram executadas através de ordens, decretos e decisões das
autoridades de segurança.