Talibãs pedem aos EUA que cedam a apelo da ONU e desbloqueiem fundos
Afeganistão
14 de jan. de 2022, 17:11
— Lusa/AO Online
Na quinta-feira, António
Guterres pediu aos Estados Unidos da América (EUA) e ao Banco Mundial
que disponibilizem esses fundos, sob pena de se agravar “o pesadelo que
se desenrola no Afeganistão”, onde a fome ameaça mais da metade da
população.“Os EUA devem responder
positivamente ao apelo internacional para desbloquear o capital afegão”,
disse o porta-voz do Governo afegão, Zabihullah Mujahid, numa mensagem
divulgada hoje na rede social Twitter.Os
EUA bloquearam quase 9,5 mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de
euros) em reservas do Banco Central Afegão, o que equivale a metade do
Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2020.O
Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial também
interromperam as suas atividades no Afeganistão, suspendendo as ajudas e
300 milhões de euros em novas reservas emitidas pelo FMI em agosto.Durante
os anos em que as forças militares norte-americanas e da Aliança
Atlântica estiveram presentes no Afeganistão, a economia afegã foi sendo
mantida graças às ajudas internacionais, que representavam 80% do
orçamento nacional.Com o regresso dos talibãs ao poder, a economia afegã entrou em colapso, devido sobretudo a uma grave crise de liquidez.Nos últimos meses, o dinheiro foi sendo desbloqueado, mas António Guterres defendeu na quinta-feira que se deve ir mais longe.“Devemos
fazer ainda mais para injetar liquidez rapidamente na economia e evitar
um colapso que levaria à pobreza, fome e miséria de milhões de
pessoas”, sublinhou o líder da ONU, citando o Banco Mundial.Washington
não reagiu, até agora, aos apelos dos talibãs, que exigem a libertação
desses fundos para reativar a economia e lutar contra a fome que ameaça
hoje, segundo a ONU, 23 milhões de afegãos, ou seja, 55% da população.A
ONU avançou na terça-feira que precisa de doações no valor de 4,4 mil
milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros) para financiar as
necessidades humanitárias do Afeganistão este ano.