Talibãs afirmam desconhecer presença de al-Zawahiri em Cabul
Afeganistão
4 de ago. de 2022, 14:34
— Lusa/AO Online
Num
comunicado, as autoridades de Cabul referem que desconheciam quer a
chegada quer a permanência de al-Zawahiri ao Afeganistão.“As
autoridades do emirato islâmico do Afeganistão pediram aos serviços
secretos para realizarem um inquérito aprofundado e sério ao incidente”,
lê-se num comunicado oficial.Terça-feira,
e sem referir o nome do líder ‘jihadista’, sucessor de Osama bin Laden à
frente da Al Qaida, após este ter morrido em 2011 numa operação no
Paquistão, o Governo talibã condenou o ataque norte-americano em Cabul,
considerando ter-se tratado de uma violação do acordo de paz de Doha.O
ataque “repete a experiência fracassada dos últimos 20 anos e vai
contra os interesses dos Estados Unidos, do Afeganistão e da região. A
repetição dessas ações prejudicará as oportunidades potenciais” de
estabilizar a região, avisou então um porta-voz governamental.O
acordo de Doha, assinado em fevereiro de 2020 entre os Estados Unidos e
os talibãs, definiu a retirada completa das forças norte-americanas do
Afeganistão após duas décadas de conflito, que terminou há um ano após a
conquista de Cabul pelos islâmicos.A
saída dos Estados Unidos foi decidida sob a condição, entre outras, de
que o Afeganistão não voltasse a ser um santuário de terroristas, como
aconteceu durante o regime anterior dos talibãs, entre 1996 e 2001,
marcado pelo apoio a bin Laden e pelos ataques do 11 de setembro de
2001.Os talibãs
também dão garantias de que o Afeganistão não constitui qualquer perigo
para o Ocidente, sobretudo para os Estados Unidos, assegurando estarem
empenhados no cumprimento dos acordos de Doha.Segundo
a Casa Branca, al-Zawahiri foi morto quando estava na varanda da
residência onde estava hospedado e um drone disparou dois mísseis contra
ele. Apenas o líder da Al Qaida foi morto na operação e não houve danos
colaterais, assegurou Washington.No
início deste ano, o líder da Al Qaida mudou-se, com a sua família, do
Paquistão para a capital afegã e, segundo os Estados Unidos, o
septuagenário ainda constituía uma ameaça para os cidadãos, interesses e
segurança nacional dos Estados Unidos, pelo que a sua morte “fez
justiça”.Al-Zawahir “esteve profundamente
envolvido no planeamento dos ataques de 11 de setembro. Durante décadas
foi responsável por orquestrar ataques contra cidadãos norte-americanos.
Agora, foi feita justiça e este líder terrorista já não existe”, disse o
Presidente norte-americano, Joe Biden, ao justificar o ataque.