Talento açoriano quer superar-se nos Mundiais de Paratletismo
12 de set. de 2025, 10:04
— João Pedro Ferreira
As açorianas Tatiana Couto (Clube Desportivo Santa Clara) e Ana Filipe
(Associação Cristã da Mocidade da Ilha Terceira) integram a delegação
portuguesa que vai estar presente nos Mundiais de Paratletismo em Nova
Deli (WPA, na sigla em inglês), que decorrem de 27 de setembro a 5 de
outubro no Estádio Jawaharlal Nehru. As atletas de 16 e 26 anos,
respetivamente, são as únicas esperanças lusas femininas na disciplina
de salto em comprimento na classe T20. A estreia na 12.ª edição da
principal competição de paratletismo a nível internacional faz-se a 4 de
outubro.Ciente da dimensão do feito, o Açoriano Oriental procurou saber, junto de quem melhor as conhece, de que forma as atletas
reagiram à convocação e se encontram a encarar o desafio: qual o seu
estado de espírito, bem como os objetivos delineados.No caso de
Tatiana Couto, o seu treinador, Paulo Borges, esclarece que esta será a
segunda participação da atleta, de 16 anos, em provas internacionais, a
primeira no escalão sénior. Como tal, admite que a jovem se encontra
“bastante satisfeita” com mais esta conquista, que é o culminar de
resultados de excelência a nível nacional e internacional [ainda em
julho passado, sagrou-se campeã da Europa de Sub-17 nos Jogos
Paralímpicos da Juventude, com uma marca de 5,09 metros, mesmo
condicionada por uma lesão]. Apesar de encarar a competição com
expetativa, Paulo Borges alerta que não se pode esperar os “mesmos resultados”
que os obtidos no escalão de Sub-17, “porque os seniores são um
escalão completamente à parte”, com atletas muito mais experimentadas. O
treinador realça ainda que Tatiana Couto se está a desenvolver como atleta. Exemplifica-o com o facto de se ter de ajustar o comprimento das
passadas, pelo que a sua participação na prova servirá sobretudo para
que se ambiente a “estes palcos e competições”, de modo a que “possa
atingir outros patamares” no futuro. Em termos de desempenho, revela que
o objetivo passa por melhorar a marca que registou nos Jogos
Paralímpicos da Juventude, na Turquia. Paulo Borges, que é igualmente
coordenador do desporto adaptado do Santa Clara, frisa que é importante
fazer-se uma boa gestão das expetativas, sob pena de se comprometer o
desenvolvimento adequado da atleta, já que a constante exposição a “uma
carga que não é a do seu escalão” pode gerar algum “desânimo”. Assim,
esclarece que clube e atleta definem como prioridades a integração em
provas da sua faixa etária e, “de vez em quando, 'dar um cheirinho'” dos
seniores para estimular o seu desenvolvimento. E acrescenta que
abdicaram da participação nos Mundiais Virtus - que decorrem de 8 a 15
de outubro em Brisbane, na Austrália - por esse motivo e, também, para
não prejudicar o progresso escolar. A presença em ambas as provas
implicaria que Couto se ausentasse de São Miguel por cerca de cinco
semanas. Se Tatiana Couto é inexperiente nestas andanças, apesar
do seu “enorme potencial”, Ana Filipe acumula já oito participações nos
Mundiais de Paratletismo, conforme explica a sua treinadora, Ana Paula
Costa, ao nosso jornal. Ainda assim, isso não invalida que a atleta
reagisse à notícia da convocação com “enorme satisfação e orgulho”,
ciente de que tal reflete o reconhecimento “consecutivo” da “superação
de limites físicos e emocionais”. Para além disso, acrescenta que a
terceirense encara sempre a participação em provas internacionais com as
cores de Portugal como um “grande desafio” que acarreta “valiosas
oportunidades de crescimento”. No que respeita a objetivos, Ana Paula Costa adianta que a atleta de 26 anos aspira “atingir as finais em qualquer campeonato”. Refira-se
que, ao contrário da jovem Tatiana Couto, Ana Filipe vai também marcar
presença, pela nona vez consecutiva, nos Mundiais Virtus. Ambos os
técnicos concluem reconhecendo o prestígio que estas participações em
provas internacionais de relevo trazem para os respetivos clubes e
Região além-fronteiras.