Sustentabilidade para o futuro no centro do congresso dos arquitetos nos Açores
2 de fev. de 2023, 17:59
— Lusa
Reunido sob o tema “Qualidade e
sustentabilidade: construir o (nosso) futuro”, o 16.º Congresso dos
Arquitetos, que se vai reunir no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada,
questiona o papel da sustentabilidade, da ecologia e da ética na prática
contemporânea da arquitetura e promove uma agenda comum pela
sustentabilidade, por uma sociedade, arquitetura e profissão
sustentáveis, anunciou hoje a ordem, numa apresentação à imprensa.Segundo
o bastonário da Ordem dos Arquitetos, Gonçalo Byrne, a crise climática,
a pandemia e, agora, a guerra foram os fatores que conduziram à
necessidade de repensar a arquitetura.“Foram
lançadas condições para estarmos a viver um período de transição
fortíssimo, violento”, afirmou, acrescentando que os arquitetos estão
perante a situação de aproveitar a oportunidade que é oferecida pela
crise.Mas como a “transformação só se faz
com todos”, este será um dos temas presentes no congresso, que pela
primeira vez procura sair do universo dos arquitetos e abrir-se à
sociedade, convocando-a para estar presente.“Os
arquitetos não estão sós neste objetivo, procuram a colaboração de
outras ordens como os engenheiros ou os construtores civis”, que estão
convidados para o congresso, disse, especificando que os oradores não
são todos arquitetos.Gonçalo Byrne afirmou
mesmo que este é “um dos grandes desafios da transição climática, que
não se faz sozinha. Só lá vai com o abrir de portas”.A
prática de futuros arquitetos e projetistas será diferente da de
gerações anteriores, sendo necessário mudar o foco para os processos de
renovação, construção e demolição, com atenção a ecologias regionais da
construção, às dinâmicas sociais e de trabalho de quem constrói, à
habitabilidade e manutenção do que é construído, à produção e ao
fornecimento local de materiais e aos fluxos de emissões de carbono
incorporados nestes processos.Há
dificuldades inerentes a esta mudança, reconhece Gonçalo Byrne,
designadamente, os custos associados e a “carapaça burocrática” que
torna os processos mais longos.“O país nos
últimos 30 anos desenvolveu uma filosofia de que a construção deve ser
suborçamentada”, e com esta “cultura de suborçamentação”, não é possível
alcançar o mundo real “com estas exigências ambientais”.O
congresso investiga, por isso, novas formas de intervenção como meio de
promover a consciência coletiva sobre o impacto social da arquitetura, e
os arquitetos e os projetistas assumem o papel de mediadores e gestores
de recursos.Assim, o ponto de partida
para esta reflexão vai estar patente nos tópicos que dominam cada uma
das seis sessões congresso: circularidade e reabilitação; materialidade
sustentável e transição digital; habitação e inclusão; sustentabilidade
pelo desenho; prática, instituição e bem comum; governança e qualidade.Sinal
da abertura que os arquitetos querem promover junto da sociedade é um
conjunto de atividades paralelas programadas para o encontro, desde logo
um festival de cinema dedicado à sustentabilidade, que apresentará
alguns filmes inéditos dos Açores.Haverá
também um roteiro de três itinerários, com visitas guiadas pelo
território natural e construído da ilha de São Miguel, bem como um
programa que consiste num desafio colaborativo com escolas de artes,
para apresentarem performances com o mote da sustentabilidade.Outra
atividade prevista designa-se “Climas paralelos” e consiste em duas
conversas com diferentes agentes da região, subordinadas aos temas
“turismo e sustentabilidade” e “Governança e qualidade”, para debater as
especificidades locais. Naquele que será
um “warm up” do congresso, são convocadas as escolas de arquitetura para
debater e construir uma agenda da prática da arquitetura de jovens
arquitetos, com atenção à sustentabilidade social, ambiental, económica e
cultural.As conclusões do congresso darão
lugar a uma “declaração dos Açores”, que será levada ao Congresso da
União dos Arquitetos, a ter lugar em Copenhaga, em julho deste ano,
dedicado à qualidade e sustentabilidade.O congresso terá transmissão aberta nos canais da Ordem dos Arquitetos.