Sustentabilidade não pode ser entrave ao desenvolvimento do turismo nos Açores
8 de abr. de 2022, 16:18
— Lusa/AO Online
“Teremos
de ter um destino sustentável em 2030, sem que essa sustentabilidade
seja um entrave ao nosso desenvolvimento, mas também sem perder este
fortíssimo cunho que a natureza tem no nosso destino. É um equilíbrio
difícil de encontrar. Temos de adicionar a estruturação da oferta, tendo
por base o potencial de cada uma das ilhas e aquilo que elas podem
trazer ao todo da promoção açoriana”, afirmou.Marcos
Couto falava em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, em declarações aos
jornalistas, à margem da sessão de abertura do seminário “Que turismo
em 2030”, promovido pela associação empresarial.Para
o empresário, é preciso consolidar a posição dos Açores sobre o turismo
sustentável, mantendo as características diferenciadoras da região.“Sabemos
que tem de ser sustentável. Não sabemos como, se fazemos com grandes
unidades hoteleiras ou com pequenas, se fazemos com turismo mais rural
ou menos rural, se fazemos mais baseado na ‘tour’ operação ou na
promoção direta”, apontou.O
presidente da associação empresarial considerou que a sazonalidade é um
entrave que é preciso combater para alcançar essa sustentabilidade no
turismo.“Vemo-nos
obrigados a aumentar muito a oferta para a condensar num período de
tempo muito curto. Se mantivéssemos essa oferta turística e a
conseguíssemos preencher durante todo o ano, teríamos provavelmente um
equilíbrio no retorno económico que pretendemos deste destino e um maior
sentimento de concretização das pessoas”, sustentou.Marcos Couto defendeu, por isso, que é preciso reforçar a promoção dos Açores na época baixa.“Continuamos
a apostar muito nas operações altas e acho que está na altura de
começarmos a olhar para o ano todo. Perdemos muitos anos a olhar para o
destino Açores como destino de praia e de sol, levámos algum tempo a
percebermos onde nos encontrávamos e, agora que me parece que nos
encontramos onde queremos, temos de perceber como é que promovemos,
onde, de que forma e para quem”, frisou.O
presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros,
apontou a sustentabilidade do destino com um dos fatores que justificam
os sinais de recuperação do turismo nos Açores, após dois anos de
pandemia.“Este
interesse crescente pelos Açores não é de espantar. Basta olhar para a
qualidade ambiental, a biodiversidade, a riqueza cultural e as
experiências diversas que os Açores oferecem. Os Açores são um exemplo
de sustentabilidade, são mesmo o primeiro arquipélago certificado
oficialmente como destino turístico sustentável, de acordo com os
exigentes critérios do Global Sustainable Tourism Council”, salientou.Francisco
Calheiros sublinhou que a sustentabilidade é “um fator importantíssimo
quando os turistas escolhem o seu destino de férias” e que é “uma das
maiores tendências” do setor no pós-pandemia.Segundo
o representante, o setor é o “motor” da economia portuguesa, mas para
que continue a crescer é preciso apoiar as empresas que estão
“descapitalizadas”, reduzir a carga fiscal, reforçar a promoção,
melhorar infraestruturas, com destaque para os aeroportos, e atrair
recursos humanos.“É
urgente que entre as empresas e o governo se chegue a soluções que
façam de novo do turismo uma atividade atrativa, onde se quer trabalhar,
e devem-se criar as condições para reter os profissionais que já
trabalham no turismo, mas sobretudo atrair os recursos humanos que são
necessários neste momento em toda a cadeia de atividade turística”,
alertou.