Suspenso mecanismo que previa pagamento por residentes das regiões apenas do valor da passagem aérea
Hoje 16:20
— Lusa/AO Online
“O
Governo suspendeu todas as alterações que estava a proceder. Aguarda a
decisão. A Assembleia da República é soberana”, afirmou Miguel Pinto
Luz, numa audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação
da Assembleia da República.A 18 de
março, o ministro das Infraestruturas e Habitação disse na mesma
comissão que o executivo estava a trabalhar numa alteração ao subsídio
social de mobilidade para que os passageiros dos Açores e da Madeira não
tivessem de adiantar o custo total das viagens para o continente e
aguardar pelo reembolso.“Foi compromisso
do Governo que até ao verão apresentaríamos uma solução para que os
açorianos e os madeirenses não necessitassem de adiantar a totalidade do
valor das suas viagens”, afirmou, na altura, Miguel Pinto Luz, dizendo
estar convicto de que seria possível antecipar esse prazo.Entretanto, a 10 de abril, a Assembleia da República aprovou, apenas com os votos
contra do PSD (excluindo os deputados das regiões autónomas) e a
abstenção de IL, PCP e CDS-PP, uma proposta de alteração ao modelo de
atribuição do subsídio social de mobilidade, que resultou de duas
apreciações parlamentares do diploma, que tinha sido publicado em
janeiro, apresentadas pelo PS e pelo Chega.Questionado
hoje sobre a criação do mecanismo anunciado para permitir que os
passageiros das regiões autónomas paguem apenas o valor da tarifa de
residente, Miguel Pinto Luz disse o Governo suspendeu essas alterações.“Não
pode ser pedido ao Governo para continuar a negociar com os bancos, a
negociar uma plataforma, para depois o senhor Presidente da República
promulgar daqui a uma semana ou duas. Estamos a aguardar aquilo que é a
redação final”, apontou, referindo-se à legislação aprovada na
Assembleia da República.Uma das alterações
aprovadas ao subsídio social de mobilidade, agora chamado de mecanismo
de continuidade territorial, foi o fim da aplicação de um teto máximo ao
custo elegível das passagens, que foi contestada pelo Governo.“A
nossa convicção é que vai correr mal e os primeiros sinais já são
claros sobre isso. A irresponsabilidade, o populismo, a demagogia, a
partidarite que liderou toda esta agenda transformadora dentro desta
comissão vai ter as suas consequências”, alertou Miguel Pinto Luz.Questionado
sobre quando serão implementadas as alterações aprovadas na Assembleia
da República, que preveem, por exemplo, mudanças no acesso à plataforma
eletrónica criada para pedir o reembolso das passagens, o ministro disse
não ter uma data, mas remeteu essa implementação para a tutela das
Finanças.“Só ontem [terça-feira] foi
fechada a redação final, irá para a Presidência da República para
promulgação e o Governo, quando tiver acesso à redação final,
naturalmente tomará as suas decisões. Não consigo dizer quando, depende,
em primeira instância, da Assembleia da República e depois do senhor
Presidente da República”, adiantou.Miguel
Pinto Luz foi chamado à comissão para responder a três requerimentos
apresentados, em dezembro, por JPP, Chega e PS, sobre a obrigatoriedade
de regularidade da situação contributiva e tributária no acesso ao SSM,
medida que também foi revogada nas alterações aprovadas na Assembleia da
República.O ministro considerou, por isso, os requerimentos “extemporâneos” e questionou a sua presença na comissão.“Mantemos
uma audição baseada em três requerimentos e o tema dos requerimentos
nem é sequer abordado (…) Têm de se criar regras de funcionamento. Os
três requerimentos eram sobre um tema e estamos aqui a discutir outro”,
apontou.O deputado Francisco Gomes, do
Chega, acusou o Governo da República de “tratar as regiões autónomas com
grande desprezo”, desafiando-o mesmo a ter “a coragem de referendar a
independência na Madeira”.Francisco César,
do PS, alertou que as passagens para as regiões autónomas “nunca
estiveram tão caras”, chegando a custar 700 euros por percurso, e
defendeu que o que a Assembleia da República fez foi “remendar o que o
Governo fez de errado”.Já Gonçalo Lage, do
PSD, alegou que a aplicabilidade das alterações aprovadas na Assembleia
da República “vai ser extremamente difícil” e lamentou que a plataforma
eletrónica tenha sido percecionada como “um ataque às regiões
autónomas”, quando o objetivo era “tornar a solução mais ágil”.Angélique
da Teresa, da IL, manifestou preocupação com a “irresponsabilidade” do
fim do teto máximo do valor elegível das passagens e alertou que o
modelo adotado nas Canárias “enfrenta crises estruturais severas”.Por
sua vez, Filipe Sousa, do JPP, insistiu que “os madeirenses e açorianos
devem pagar somente a sua parte” e que “tem de haver uma
responsabilidade efetiva por parte do Estado de assumir a sua parte com
as companhias aéreas”.