Suspensão de vacina demonstra que vigilância funciona
Covid-19
18 de mar. de 2021, 12:23
— Lusa/AO Online
“Em campanhas de
vacinação é rotineiro assinalar potenciais eventos adversos, mas isso
não significa que esses eventos estejam ligados às vacinas”, afirmou em
conferência de imprensa virtual o diretor do departamento europeu da OMS
Europa, Hans Kluge, comentando a suspensão da aplicação da vacina da
Astrazeneca em vários países europeus, incluindo Portugal.“Nesta
altura, os benefícios da vacina da Astrazeneca ultrapassam muito os
seus riscos e a sua utilização deve continuar para salvar vidas”,
apelou.Hans Kluge considerou que “a
deteção, investigação e avaliação” da ocorrência de algumas dezenas de
“problemas raros de coagulação sanguínea” demonstram que há “fortes
mecanismos de vigilância e regulação”.O
responsável europeu da OMS salientou que “o embolismo trombovenoso é a
terceira doença cardiovascular mais comum no mundo e acontece na
população quer esteja ou não vacinada”.Kluge
reconheceu que ainda não se sabe se “alguns ou todos os problemas [de
tromboembolismo venoso registado em algumas dezenas de pessoas na
Europa] foram causados pela vacina ou por outros fatores coincidentes”.“A OMS está a avaliar os mais recentes dados de segurança e, quando completados, os resultados serão publicados”, garantiu.Referiu
que as disparidades no acesso a vacinas nos 53 países da região
europeia da OMS estão a diminuir mas que “a desigualdade persiste”:
enquanto “todos os países de alto rendimento começaram a vacinar, apenas
60 por cento dos países de rendimento médio e baixo o fizeram”.Até
agora, foram administradas na região europeia 107 milhões de doses de
vacina e “03% da população em 45 países recebeu uma série completa de
vacina”.Em 23 países, pelo menos “51% dos profissionais de saúde recebeu pelo menos uma dose”.Um
ano depois da declaração de pandemia, verifica-se agora um aumento
“agudo em regiões que controlaram a doença com sucesso nos primeiros
seus meses: a Europa central, Balcãs e estados do Báltico, onde a
incidência de casos, hospitalizações e mortes estão agora entre as mais
elevadas do mundo”.“O perigo ainda está
claramente presente”, declarou Hans Kluge, notando que há um aumento de
casos há três semanas consecutivas e que na última semana foram
detetados 1,2 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus.Em
48 países, a variante do SARS-CoV-2 conhecida como B117, mais
contagiosa e detetada pela primeira vez no Reino Unido, está a tornar-se
“gradualmente predominante”.Apesar disso,
vários países “incluindo a Dinamarca, Irlanda, Portugal, Espanha e
Reino Unido reduziram rapidamente a transmissão como medidas sociais e
de saúde pública para níveis que podem e devem ser mantidos baixos”,
referiu.