Suspensão de testes da Coronavac no Brasil gera descrédito gratuito
Covid-19
10 de nov. de 2020, 18:31
— Lusa/AO Online
"Fomentaram
um ambiente que não é muito propício pelo facto de essa vacina ser
feita em associação com a China. Fomentaram esse descrédito gratuito. A
troco de quê?", questionou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan,
numa conferência de imprensa realizada após o anúncio da suspensão dos
testes da candidata a vacina no Brasil ser anunciada pela Anvisa.A
Coronavac está a ser testada no Brasil numa parceria entre o
laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, ligado ao governo do
estado de São Paulo, cujo governador, João Doria, tornou-se um dos
adversários mais ferrenho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no
campo conservador.Bolsonaro e seus seguidores criticaram o facto de o imunizante contra a covid-19 ter sido desenvolvida pela Sinovac.O
Presidente brasileiro também disse publicamente que não tem interesse
em adquirir o medicamento que denominou ser a “vacina do Doria” em
alusão ao seu rival político em São Paulo.As
autoridades não confirmam oficialmente, mas os ‘media’ brasileiros
informaram que a morte de um voluntário de 33 anos em 29 de outubro que
participava na terceira fase do ensaio da Coronavac motivou a suspensão.O diretor do Instituto Butantan, por sua vez, enfatizou novamente que a alegada morte não tem relação com a vacina.“Os
dados são transparentes. Por que nós sabemos e temos certeza de que não
é um evento relacionado a vacina? Como eu disse, do ponto de vista
clínico do caso e nós não podemos dar detalhes, infelizmente. É
impossível que haja relacionamento desse evento com a vacina, impossível
", defendeu Covas.A suspensão dos testes
da vacina Coronavac no Brasil foi anunciada na segunda-feira pela
Anvisa, órgão regulador oficial, após ser notificada da ocorrência de um
"evento adverso grave".Em nota, a Anvisa
explicou que "decidiu interromper o estudo para avaliar os dados
observados até o momento e julgar o risco/benefício da continuidade"
após ser informada sobre este "evento adverso grave" em 29 de outubro.Já
o Instituto Butantan frisou logo que foi informado da suspensão dos
testes pelos ‘media’ que a morte de um dos voluntários do estudo "não
tem relação com a vacina" e, por isso, considerou que os testes devem
continuar.Na mesma linha, a farmacêutica chinesa Sinovac disse numa nota divulgada em Pequim que se convenceu da segurança de sua vacina.“O
estudo clínico no Brasil está sendo realizado de forma rigorosa e de
acordo com os requisitos das boas práticas clínicas, e estamos
convencidos da segurança da vacina”, disse a Sinovac em breve comunicado
publicado em seu ‘site’.“Após nos
comunicarmos com nosso parceiro brasileiro, o Instituto Butantan,
ficamos sabendo que sua direção acredita que esse grave evento adverso
não tem relação com a vacina”, acrescentou.Após a Anvisa suspender o estudo Bolsonaro insinuou que a decisão significava uma vitória sua. "Mais
uma vitória de Jair Bolsonaro (…) Morte, invalidez, anomalia. Essa é a
vacina que Doria queria obrigar o povo paulista a tomar”, escreveu hoje o
Presidente brasileiro numa resposta a um comentário de um apoiante na
rede social Facebook.