Suspensão da compras de bombas de insulina automáticas foi por razões de segurança
30 de out. de 2024, 16:05
— Lusa/AO Online
Rui Ivo foi ouvido na comissão
parlamentar da Saúde a requerimento do PS para prestar esclarecimentos
sobre a suspensão da comercialização destes dispositivos que iriam ser
distribuídos a 15 mil pessoas com diabetes tipo 1, no âmbito de um
programa criado pelo anterior Governo.O
Estado lançou um concurso para a aquisição de cerca de 2.000
dispositivos, adjudicado à empresa Medtrum, que foi suspenso pelo
Infarmed perante o alerta da associação de diabetologistas britânica e
de relatos da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) de
que utilizadores tiveram reações adversas.Na
audição, o presidente da autoridade nacional do medicamento (Infarmed),
Rui Ivo, afirmou que “a suspensão ocorreu por uma razão muito
concreta”: “Estavam em causa questões de segurança”.“A
nossa primeira obrigação é garantir a segurança dos cidadãos que estão a
utilizar estes dispositivos. E nós, perante as circunstâncias que nos
foram transmitidas, após o processo se ter iniciado”, a decisão foi de
suspender o processo.Segundo Rui Ivo, a
ADPD realizou um estudo prévio à utilização das bombas de insulina
automáticas em que foram detetados “vários resultados erróneos face
àquilo que seria de esperar”.“Nesse estudo
controlado em que estávamos, por um lado, a usar os sistemas e, ao
mesmo tempo, a fazer o acompanhamento dos resultados, detetaram-se
várias circunstâncias anómalas”, relatou.Perante
esta circunstância, o Infarmed decidiu não generalizar a utilização
destes dispositivos, restringindo a sua utilização a um “ambiente
controlado” para clarificar a situação e foram desencadeadas várias
diligências junto da empresa que distribuiu os produtos em Portugal,
explicou.As primeiras notificações de
reações adversas ocorreram no passado dia 03 de junho e a suspensão da
compra dos dispositivos no dia 14 do mesmo mês, após o contacto com o
notificante e de ter informado a empresa distribuidora em Portugal.Sobre
a situação neste momento, Rui Ivo diz que as questões levantadas foram
“sucessivamente analisadas”, tendo o fabricante insistido que estavam
relacionadas com as instruções de utilização e que “eram
ultrapassáveis”, o que o Infarmed não conseguiu concluir. “A
conclusão dos peritos foi no sentido de que, neste momento, deveríamos
manter a suspensão por não termos dados que nos permitam, com segurança,
reverter a suspensão”, declarou, acrescentando que o Infarmed aguarda
“uma resposta mais substanciada por parte do fabricante, que pode
eventualmente requerer estudos adicionais”.Questionado
por deputados se Portugal pode adquirir dispositivos de outras
empresas, Rui Ivo disse que o Infarmed não tem “nenhuma reserva” quanto a
isso, desde que garantam “as condições de segurança aos utilizadores”.“O
facto de o Infarmed ter suspendido a utilização deste dispositivo em
particular, não nos deve inibir de fazer os concursos e adquirir outros
que estejam disponíveis”, sustentou.Neste
momento, há três dispositivos disponíveis no mercado que correspondem à
designação de sistemas de autoadministração automática de insulina, mas
Rui Ivo disse que poderão vir a estar outros.
Mas observou que há duas questões a serem tidas em conta, a
regulamentar, que tem que ser cumprida, e a capacidade de fornecimento
da empresa a mais mercados.A APDP estima
que haja cerca de 30.000 pessoas com diabetes tipo 1 e cerca de metade
quererão ter bombas automáticas e alertou que a meta de colocar 2.500
bombas de insulina automáticas até final do ano não será cumprida.Dados avançados por Rui Ivo na Comissão de Saúde indicam que terão sido distribuídas cerca de 500 dispositivos.