Suspensão da AstraZeneca em vários países não afeta campanha global de vacinação
Covid-19
16 de mar. de 2021, 13:15
— Lusa/AO Online
A
OMS explicitou que as vacinas da AstraZeneca incluídas no programa
COVAX, que envia vacinas maioritariamente para os países com menor
capacidade de aquisição de fármacos, estão a ser produzidas na Índia e
na Coreia do Sul, e que a suspensão em alguns países - por receios da
formação de coágulos sanguíneos – diz respeito a vacinas produzidas na
Europa.“Compreendemos que isto são medidas
de precaução (…). Gostava de dizer o seguinte aos países de outras
regiões que não a Europa: As vacinas [em causa] até agora foram
fabricadas na Europa e não são providenciadas pelo programa COVAX”,
disse a diretora-geral adjunta da OMS Mariangela Simao. Portugal,
França, Alemanha, Espanha e Itália são os últimos países a integrar uma
lista crescente de países maioritariamente europeus – cujo início
começou na semana passada com a decisão da Dinamarca de suspender a
administração da vacina em causa – que suspenderam temporariamente a
utilização do fármaco da AstraZeneca para investigar os casos reportados
de formação de coágulos sanguíneos em pessoas que tinham recebido esta
vacina.“Isto não significa necessariamente
que estes eventos estão relacionados com a vacinação [com a vacina da
AstraZeneca]”, advertiu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom
Ghebreyesus, em conferência de imprensa, referindo, no entanto, que é
prática rotineira investigar casos como os que foram reportados para
despistar.As autoridades de saúde portuguesas decidiram hoje suspender o uso da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 por "precaução".A
decisão foi anunciada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pela
autoridade do medicamento (Infarmed) e surge após vários países europeus
também já terem suspendido a administração desta vacina devido a
relatos de aparecimento de coágulos sanguíneos em pessoas vacinadas. Questionado
sobre a existência de episódios de tromboembolismo na sequência da
vacinação contra a Covid-19, Rui Ivo reconheceu que se registaram dois
casos, embora tenha distanciado essas situações daquelas que se
verificaram noutros países.“São casos
diferentes dos que efetivamente foram hoje reportados a nível europeu,
não estão no mesmo padrão. São situações que estão totalmente em
recuperação”, assegurou.A decisão pela
suspensão da administração da vacina ocorre apenas um dia depois de
Infarmed e DGS terem declarado que a vacina da AstraZeneca podia
continuar a ser administrada, frisando que não havia evidência de
ligação com os casos de tromboembolismo registados noutros países.
Entretanto, o país continua a utilizar as vacinas da Pfizer/BioNTech e
da Moderna, autorizadas pela Agência Europeia do Medicamento.Espanha,
Itália, Alemanha, França, Noruega, Áustria, Estónia, Lituânia, Letónia,
Luxemburgo e Dinamarca, além de outros países, incluindo fora da
Europa, já interromperam por “precaução” o uso da vacina da AstraZeneca,
após relatos de casos graves de coágulos sanguíneos em pessoas que
foram vacinadas com doses do fármaco da AstraZeneca.A
empresa já disse que não há motivo para preocupação com a sua vacina e
que houve menos casos de trombose relatados nas pessoas que receberam a
injeção do que na população em geral. A
Agência Europeia do Medicamento (EMA) e a Organização Mundial de Saúde
(OMS) confirmaram que os dados disponíveis não sugerem que a vacina da
AstraZeneca tenha causado os coágulos e que as pessoas podem continuar a
ser imunizadas com esse fármaco. O
diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou, entretanto,
que o comité de especialistas desta agência das Nações Unidas "está a
rever os dados disponíveis" sobre a vacina desenvolvida pelo laboratório
sueco e pela Universidade de Oxford e vai reunir-se na terça-feira para
discutir a vacina.