Suspeito de terrorismo assume vontade de atirar 'cocktails molotov' e esfaquear pessoas
18 de out. de 2022, 11:00
— Lusa/AO Online
Na
primeira sessão do julgamento no Juízo Central Criminal de Lisboa, João
Carreira de 19 anos, acedeu a prestar declarações ao coletivo de juízes
presidido por Nuno Costa e, num tom monocórdico e inexpressivo, tem
respondido às questões, confirmando a obtenção dos materiais, o
interesse que vinha de trás por assassínios em massa ou o estado
depressivo em que estava em fevereiro, quando foi detido pela Polícia
Judiciária na véspera do ataque.“Talvez ir
para o auditório e atirar cocktails molotov, atirar setas, esfaquear
pessoas”, respondeu o arguido ao juiz sobre o que pensava fazer quando
chegasse à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sublinhando
como motivações “a depressão, o facto de estar em Lisboa e querer a
atenção das pessoas da comunidade”. Confessando
que não queria “atingir ninguém em especial”, o estudante universitário
descreveu os sucessivos adiamentos da execução do ataque - que chegou a
ser apontado para os dias 03, 04, 07 e 09, até fixar finalmente o dia
11 – e defendeu que isso se traduzia numa vontade de não executar mesmo o
ataque.“Por que razão é que não
avançou?”, questionou o juiz. E João Carreira respondeu: “Porque não
queria. (…) Acho que não queria fazer aquilo realmente. (…) Acho que não
tinha coragem para matar uma pessoa”.O
arguido vincou que o interesse pelo tema dos assassínios em massa
despontou em 2018, reconheceu ter noção de que aquilo que pensava fazer
na Faculdade de Ciências “era errado” e até admitiu ter pensado em
recorrer a ajuda psicológica.“Pensei um
bocado, mas depois desisti”, explicou, revelando ter tido anteriormente
acompanhamento médico por causa do autismo, mas que não contactou o
médico por já não falar com ele há muito tempo e por pensar que "podia
resolver o problema sozinho". João
Carreira foi acusado em julho pelo Ministério Público (MP) de dois
crimes de terrorismo, um dos quais na forma tentada, e de um crime de
detenção de arma proibida. Ficou em prisão
preventiva desde 11 de fevereiro de 2022, tendo a medida de coação sido
substituída por internamento preventivo no Hospital Prisional de
Caxias, com o MP a alegar “forte perigo de continuação da atividade
criminosa e um intenso perigo de perturbação da tranquilidade e da ordem
públicas”.