Surfista Garrett McNamara quer ser lembrado como “guerreiro ecológico”
21 de abr. de 2021, 15:13
— Lusa/AO Online
"Prefiro
ser lembrado como um ‘eco warrior' [guerreiro ecológico] do que como
surfista de ondas gigantes", afirmou McNamara durante um evento ‘online'
da Mercedez-Benz, marca da qual é embaixador, e que hoje promoveu um
debate sobre sustentabilidade.O atleta de
53 anos, que surfou uma onda de 23,77 metros em 01 de novembro de 2011,
na Praia do Norte, batendo então o recorde mundial do Guinness, recordou
a primeira vez que veio a Portugal e se deparou com o ‘canhão' da
Nazaré."Não sonhava vir a Portugal. Para
ser sincero, nem conhecia o país, nem sabia se pertencia a Espanha ou se
ficava nalguma parte de Marrocos. Quando chegámos a Portugal, não
tínhamos expectativas. Mas fui ao farol da Nazaré e vi as maiores ondas
da minha vida", afirmou, destacando a mudança drástica que a vila
piscatória conheceu nos últimos anos graças às suas ondas gigantes.Segundo
McNamara, que agora passa seis meses por ano em Portugal e outros seis
no Havai, a onda que lhe valeu o recorde do mundo deu uma notoriedade
enorme ao país, que passou a figurar no mapa dos destinos com ondas
gigantes, e trouxe um grande desenvolvimento à Nazaré."Em
2010, se eu dissesse a alguém que as maiores ondas do mundo eram em
Portugal, ninguém acreditava. E se disse que a Mercedes ia construir um
‘lounge' [espaço] ecológico no porto de abrigo da Nazaré, iam dizer que
eu estava louco. Mas agora é tudo realidade", assinalou.Por
seu turno, o presidente da Mercedez-Benz Portugal, Holger Marquardt,
que também participou na iniciativa, apresentando o caminho que a nova
marca Mercedes EQ (veículos 100% elétricos) iniciou em direção à
neutralidade carbónica, explicou a ligação da marca alemã com McNamara e
a Nazaré."O desporto pode mudar o mundo.
As ondas grandes da Nazaré representam todo o poder da Natureza",
salientou, garantindo o compromisso da Mercedes com a responsabilidade
ecológica, social e económica e apontando para o projeto Ambition 2039,
que prevê a neutralidade carbónica da Mercedes EQ.Já
Jorge Aguiar, diretor de marketing e comunicação da Mercedez-Benz
Portugal, realçou que a fabricante alemã já apoia Garrett McNamara há
mais de 10 anos, e que o Mercedes EQ Lounge, na Nazaré, é um espaço
autossustentável que visa reforçar o seu compromisso com o surf e a
sustentabilidade."Queremos que este seja
um espaço aberto à comunidade, em que se promova a consciência ambiental
através de variadas iniciativas", sublinhou o responsável, destacando
que, ao longo dos últimos anos, a Mercedes produziu as pranchas para
ondas gigantes que McNamara usa."Tive
pranchas de todas as outras marcas e não há nenhuma prancha como as da
Mercedes", garantiu o surfista havaiano, apontando para a segurança
extra que as mesmas proporcionam em cenários extremos.McNamara
confessou, em jeito de brincadeira, que a tecnologia desenvolvida pela
Mercedes para os ‘big riders' é tão boa, que tinha a tentação de a
preservar só para si, mas, uma vez que acredita que a segurança que
oferecem pode fazer a diferença entre a vida e a morte de um surfista, a
tecnologia envolvida já foi partilhada como a restante comunidade das
ondas gigantes.Num debate centrado na
sustentabilidade, e quando se aproxima o Grande Prémio de Portugal de
Fórmula 1, em Portimão, (02 de maio), a Lusa questionou os responsáveis
da Mercedes sobre o impacto desta modalidade sobre o meio ambiente, e
quais os planos da marca para a F1, que tem dominado nos últimos anos
quer a nível de pilotos, quer a nível de construtores."Estou
em crer que a F1 vai evoluir muito, no caminho da Fórmula E
(monolugares elétricos), que é amiga do ambiente. Vai haver também uma
jornada nessa direção", frisou Holger Marquardt, que já tinha defendido
que não é possível passar imediatamente dos motores de combustão para os
100% elétricos, e que se adivinha ainda uma "longa viagem" até tal
acontecer, que passa necessariamente também pelos veículos híbridos.Jorge
Aguiar alinhou no mesmo diapasão, dizendo que "é na F1 que é testada a
tecnologia híbrida", e que a modalidade é um "banco de ensaios
tecnológicos" para as fabricantes, mas também considerou que "as marcas
vão evoluir para a FE".