Supremo Tribunal Administrativo rejeita ação do sindicato contra requisição civil
Greve/Enfermeiros
26 de fev. de 2019, 17:19
— Lusa/AO Online
Segundo a mesma
fonte, o STA tomou esta decisão com base em fundamentos que o sindicato
considera “contraditórios”, com as questões prévias suscitadas a
propósito do alegado incumprimento dos serviços mínimos e da necessidade
de decretar a requisição civil. A
fonte adiantou ainda que o STA considerou também improcedentes as
questões prévias levantadas pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho de
Ministros.Os
advogados pretendem analisar detalhadamente a decisão, mas admitem a
possibilidade de recorrer desta decisão desfavorável para o plenário do
STA.Contactado
pela agência Lusa, o Ministério da Saúde disse que já foi notificado da
decisão e remeteu mais esclarecimento para uma conferência de imprensa
marcada para hoje às 17:30 na Presidência do Conselho de Ministros.A
intimação tinha sido entregue pelo Sindepor para a proteção de
direitos, liberdades e garantias da classe, contestando a requisição
civil decretada pelo Governo.O
Sindepor considerou na altura que a requisição civil, decretada a 08 de
fevereiro pelo Governo em quatro dos dez hospitais onde decorre a greve
dos enfermeiros até 28 de fevereiro, alegando incumprimento da
prestação de serviços mínimos, era “ilegal e inconstitucional”.De
acordo com o advogado do sindicato, Garcia Pereira, a sustentação
apresentada pelo Governo para aprovar a requisição civil era “genérica e
abstrata”, referindo apenas que houve incumprimento dos serviços
mínimos, mas “sem precisar” os factos. O
Governo apresentou depois a sua defesa e, na altura, disse ter
entregado ao tribunal "fundamentos comprovados" de cirurgias
prioritárias adiadas durante os serviços mínimos.O
Ministério da Saúde prevê retomar até aos primeiros dias de março as
reuniões negociais com as estruturas sindicais dos enfermeiros.A
ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou, no entanto, que a discussão
sobre a carreira de enfermagem terminou, estando para publicação em
Boletim do Trabalho e do Emprego, mas que há outros temas para serem
discutidos e tratados.O
reatamento das negociações foi anunciado após o Conselho de Ministros
ter decretado a 07 de fevereiro uma requisição civil na greve dos
enfermeiros em curso desde 31 de janeiro nos blocos operatórios de
quatro centros hospitalares, alegando incumprimento dos serviços
mínimos.A
“greve cirúrgica” foi convocada pela Associação Sindical Portuguesa dos
Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democráticos dos Enfermeiros
(Sindepor) em dez centros hospitalares, até 28 de fevereiro, depois de
uma paralisação idêntica de 45 dias no final de 2018.As
duas greves foram convocadas após um movimento de enfermeiros ter
lançado recolhas de fundos numa plataforma ‘online’ para financiar as
paralisações, conseguindo um total de 740 mil euros. Os principais pontos de discórdia são o descongelamento das progressões na carreira e o aumento do salário base dos enfermeiros.A requisição civil foi contestada pelo Sindepor no Supremo Tribunal Administrativo.O
Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República considerou por
sua vez que a greve é ilícita, um parecer que foi de imediato homologado
pela ministra da Saúde, ordenando a marcação de faltas injustificadas
aos enfermeiros em greve a partir de 19 de fevereiro. A
ASPE pediu a suspensão imediata da paralisação, mas o Sindepor vai
mantê-la e o seu presidente iniciou na quarta-feira uma greve de fome,
que terminou 48 horas mais tarde, logo após o anúncio do reinício de
negociações.