Supremo declara ilegal decisão do governo de suspender Parlamento britânico
Brexit
24 de set. de 2019, 10:39
— Lusa/AO Online
Na leitura da decisão, a juíza,
Brenda Hale, disse que "a decisão de aconselhar Sua Majestade a
suspender o parlamento era ilegal porque teve o efeito de frustrar ou
impedir a capacidade do Parlamento de desempenhar as suas funções
constitucionais sem uma justificação razoável".Segundo
Hale, o Supremo recusou o argumento de que o ato não poderia ser
questionado nos tribunais, e que cabe agora aos presidentes da Câmara
dos Comuns e da Câmara dos Lordes decidir quando devem os trabalhos
recomeçar."A menos que exista alguma regra
parlamentar da qual não tenhamos conhecimento, eles podem tomar medidas
imediatas para permitir que cada câmara se reúna o mais rapidamente
possível. Não é claro para nós que seja necessário qualquer passo da
parte do primeiro-ministro", vincou. A
deliberação do tribunal de última instância foi tomada após três dias de
audiências na semana passada diante de 11 juízes, que escutaram os
argumentos dos advogados dos requerentes e do Governo conservador
britânico.Em causa estava saber se Johnson
agiu legitimamente quando aconselhou a rainha a suspender o Parlamento
por cinco semanas durante um período crucial antes do prazo para o
‘Brexit’, a 31 de outubro, data em que está programada a saída do Reino
Unido da União Europeia (UE).A suspensão do Parlamento desencadeou várias ações judiciais, às quais os tribunais britânicos deram decisões contraditórias. O
Tribunal Superior [High Court] da Inglaterra disse que a medida era uma
questão política e não legal, mas os juízes do tribunal de última
instância escocês [Court of Session] decidiu que Johnson agiu
ilegalmente "para evitar o escrutínio democrático".A
primeira ação foi encabeçada pela empresária e ativista anti-Brexit
Gina Miller, com o apoio do antigo primeiro-ministro conservador John
Major, da líder dos Liberais Democratas, Jo Swinson, e de vários
dirigentes do partido Trabalhista, enquanto que a segunda foi interposta
por um grupo de 75 deputados e membros da Câmara dos Lordes (câmara
alta do Parlamento), liderada pela deputada do Partido Nacionalista
Escocês (SNP) Joanna Cherry.Este caso pode
ter repercussão históricas, pois representa um raro confronto entre o
primeiro-ministro, os tribunais e o Parlamento sobre os respetivos
poderes e responsabilidades e que também põe em causa o papel da rainha
Isabel II.Johnson e o Parlamento britânico
entraram em confronto desde que o sucessor de Theresa May assumiu o
poder em julho com a determinação de concretizar o ‘Brexit’ a 31 de
outubro, com ou sem um acordo de saída.Perante
esta posição, o Parlamento aprovou uma lei exigindo que o governo peça
formalmente uma extensão do prazo de saída se não for alcançado um
acordo até 19 de outubro, mas o primeiro-ministro insistiu que não
pretende fazê-lo em qualquer circunstância, abrindo caminho a novos
confrontos.Boris Johnson, que se encontra
em Nova Iorque a participar na Assembleia-Geral das Nações Unidas,
recusou-se a dizer se vai renunciar ao cargo caso seja determinado que
violou a lei ou se vai tentar suspender o Parlamento novamente.