Supremo brasileiro dará em poucos dias veredito sobre lei que reduz pena de Bolsonaro
Hoje 11:33
— Lusa/AO Online
“Em poucos
dias nós teremos um veredito sobre a validade ou não da decisão tomada
pelo Congresso”, afirmou à Lusa Gilmar Mendes, que organiza a 14.ª
edição do Fórum de Lisboa, a 01,0 2 e 03 de junho, na Faculdade de
Direito da Universidade de Lisboa.“O
Brasil deu uma resposta muito efetiva para essa situação.
Diferentemente, inclusive, dos americanos para o seu 06 de
janeiro. Aqui, o ex-Presidente Bolsonaro foi responsabilizado”, disse
Gilmar Mendes, referindo-se aos processos conduzidos pelo Supremo
Tribunal Federal, que levaram à condenação de centenas de pessoas, entre
os quais Jair Bolsonaro, quatro generais quatro estrelas e um
ex-ministro da Defesa.Em dezembro de 2025,
o Congresso brasileiro aprovou a proposta que reduz penas de condenados
por tentativa de golpe de Estado, conhecida como "PL da Dosimetria",
vetada integralmente por Lula da Silva em janeiro.A
Lei da Dosimetria foi promulgada pelo presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, em 08 de maio, após o Congresso Nacional derrubar o veto
presidencial.Um dia depois, o juiz
Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a aplicação
da lei até que o plenário do tribunal analise a lei que reduz as penas
dos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília a 08
de janeiro de 2023.Bolsonaro foi condenado
pelo Supremo brasileiro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa
de abolição violenta do Estado democrático de direito e tentativa de
golpe de Estado.Com prisão decretada em
novembro, o ex-Presidente cumpre prisão domiciliária, em Brasília, por
questões de saúde, desde há pouco mais de um mês. Atualmente, tem de
cumprir cinco anos e 11 meses para passar para o regime semiaberto. Com o cálculo da nova proposição, esse período cairia para três anos e três meses.“Houve
um movimento sobre amnistia. Talvez temerosos de que o Supremo não
permitisse amnistia, por entender que se trataria de amnistia, de crimes
de vandalismo, de ataques às instituições, de crimes contra a
democracia, trilharam um caminho de atenuação das penas”, considerou.“Vamos
aguardar o relator, que nesse caso é o ministro Alexandre de
Moraes, que pediu todas as informações. E nós agora vamos-nos debruçar
sobre essa questão”, sublinhou.Questionado
pela Lusa sobre a possibilidade do Presidente brasileiro, Lula da
Silva, voltar a submeter ao Senado o nome de Jorge Messias para o
Supremo Tribunal Federal (STF) ainda antes das eleições presidenciais de
outubro, após a inédita rejeição da indicação, Gilmar Mendes foi
taxativo: “estamos muito vizinhos das eleições”.Messias,
de 46 anos, foi rejeitado por 42 votos contra 34, com uma abstenção,
tornando-se o primeiro nome indicado para o STF a ser recusado pelo
Senado em mais de 130 anos de história republicana brasileira."Daqui
a pouco, encerrada a Copa do Mundo [Campeonato do Mundo de futebol],
que eu espero que nós ganhemos, a gente vai passar a olhar com mais
detenção e atenção as eleições e, a partir daí, a partir de outubro, nós
já vamos ter um outro cenário no Brasil, discutir um novo Governo. E aí
é possível acontecerem-se outras coisas”, disse o juiz do supremo
brasileiro.