Supremo arquiva inquérito a Van Dunem sobre nomeação de primeiro procurador europeu
20 de mai. de 2025, 16:46
— Lusa/AO Online
“O
Supremo Tribunal de Justiça decidiu ordenar o arquivamento do inquérito
sobre a denúncia contra a ex-ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, e
outros, pela prática dos crimes de falsificação, abuso de poder,
corrupção e prevaricação, relacionada com a seleção pelo Estado
português do procurador europeu”, lê-se numa nota do tribunal superior.De acordo com o STJ, sobre a
“alegada indicação de elementos curriculares erróneos relativos a um
dos candidatos ao cargo de procurador europeu nacional por parte do
governo português”, o tribunal “concluiu não se ter verificado qualquer
um desses crimes”.O despacho que confirma o
arquivamento do inquérito é de hoje e foi proferido pela juíza
conselheira Albertina Pereira, adiantou ainda o STJ à Lusa.Em
janeiro de 2021 o Ministério Público (MP) instaurou um inquérito ao
caso da nomeação do procurador europeu no seguimento da participação
criminal apresentada pela Ordem dos Advogados (OA) e de uma denúncia
anónima, informou na altura a Procuradoria-Geral da República.Dias
antes a OA tinha anunciado que iria apresentar ao MP uma participação
criminal contra incertos após as notícias sobre irregularidades no
processo de nomeação do procurador europeu.
Em causa - segundo explicou na altura o então bastonário Luís Menezes
Leitão – poderia estar a eventual prática de ilícitos criminais como
abuso de poder e falsificação de documentos que, se fossem provados,
teriam um "indiscutível impacto na visão que os cidadãos têm das
entidades que os regem".Desta forma,
entendeu a OA solicitar ao MP, como titular da ação penal em Portugal,
que abrisse um inquérito criminal e procedesse "ao apuramento rigoroso
da verdade, para que não subsistam dúvidas sobre o regular funcionamento
das instituições”.O procurador José
Guerra foi o nome indicado por Portugal para ser nomeado em 2021 o
primeiro procurador europeu nacional, em detrimento de outros dois
magistrados do MP, mas a nota enviada pelos serviços do Ministério da
Justiça para o Júri do Conselho Europeu continha alegados lapsos e
falsidades sobre o currículo do magistrado, situação que levou partidos
da oposição a pedir a demissão da ministra da Justiça, Francisca Van
Dunem.