Supremo aceita recurso de Salgado e vai avaliar pena de prisão
Operação Marquês
6 de nov. de 2023, 11:57
— Lusa/AO Online
De acordo com o
despacho do STJ, o vice-presidente Nuno Gonçalves reconheceu
legitimidade à argumentação dos advogados do antigo presidente do Grupo
Espírito Santo (GES), que indicavam que o acórdão de maio do Tribunal da
Relação de Lisboa agravou a pena de Ricardo Salgado de seis para oito
anos de prisão, não se limitando, dessa forma, a confirmar a decisão de
primeira instância, datada de março de 2022.“Defere-se
parcialmente a reclamação, devendo o despacho reclamado ser substituído
por outro que admita o primeiro recurso que o arguido Ricardo Espírito
Santo Silva Salgado interpôs do acórdão da Relação proferido em 24 de
maio de 2023, limitando-o ao segmento respeitante à pena única”, refere a
decisão do STJ hoje avançada pelo ECO e a que a Lusa teve igualmente
acesso. Considerando “apenas parcial” a
confirmação na Relação do acórdão do Juízo Central Criminal de Lisboa,
devido à alteração da pena única (aplicada em cúmulo jurídico das três
penas parcelares de quatro anos pelos três crimes de abuso de
confiança), o STJ entendeu que havia “divergência entre as duas
decisões”. Nesse sentido, decidiu que o
recurso apresentado pelos advogados do ex-banqueiro, Francisco Proença
de Carvalho e Adriano Squilacce, era admissível, mas apenas no que toca à
questão da pena. Caso tivesse havido uma confirmação integral da
decisão da primeira instância, o recurso já não seria viável, uma vez
que a legislação prevê somente a apreciação no STJ de penas superiores a
oito anos de prisão.No último recurso, em
setembro, a defesa apelou à revogação da decisão do TRL, visando então a
rejeição da realização de uma perícia médica – entretanto efetuada no
âmbito do Caso EDP, atualmente em julgamento – e a não suspensão da pena
única de prisão, por força de uma anomalia psíquica decorrente do
diagnóstico de Doença de Alzheimer. “Colocar
o arguido com a doença de Alzheimer numa prisão equivale a determinar a
sua pena de morte. (…) Isto apenas se verificou no presente processo,
porque o nome do arguido é Ricardo Salgado”, referiram os advogados,
denunciando ainda “um judicialismo aterrador que atropela a dignidade
humana e a saúde e que, aparentemente, não se importa de aplicar uma
pena de morte camuflada”.O ex-banqueiro
esteve acusado de 21 crimes no processo Operação Marquês, mas, na
decisão instrutória de 09 de abril de 2021, o juiz Ivo Rosa deixou cair
quase toda a acusação imputada ao arguido. Ricardo
Salgado acabou pronunciado para julgamento em processo separado por
três crimes de abuso de confiança, devido a transferências de mais de 10
milhões de euros.