Sudão pede a Moscovo que defenda o Presidente Omar al-Bashir
Política
18 de jul. de 2008, 11:40
— Lusa/AO online
“Nós pedimos à Federação da Rússia que exponha a sua posição sobre esta questão. Pedimos à Rússia, enquanto membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, que utilize a sua influência, ligações e contactos para pôr fim ao fantasma que paira sobre o Sudão”, declarou Shol Deng Alac, numa conferência de imprensa em Moscovo.
“A Rússia é nosso amigo na arena internacional, ela apoia o reforço da paz no Sudão”, acrescentou.
Para o representante diplomático sudanês, “a exigência do Procurador do Tribunal Internacional é muito perigosa, porque se trata da detenção do Presidente de um Estado soberano que não assinou o Tratado de Roma e não é membro desse tribunal”.
“Semelhante exigência mina a confiança para com a justiça internacional, contradiz o Direito Internacional, mostra que os mais diversos padrões são empregues em relação a diferentes regiões e países”, disse o embaixador.
“O país encontra-se na via da democracia. Para quê envenenar a comunidade internacional com essa exigência do procurador do tribunal, quando o país se encontra na vida da democracia?”, perguntou.
O procurador do TPI (Tribunal Penal Internacional), Luis Moreno Ocampo, pediu, na segunda-feira, a prisão do Presidente sudanês, Omar al-Bashir, por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Darfur.
Ocampo apresentou o resultado da sua segunda investigação em Darfur - onde mais de 300 mil pessoas morreram em cinco anos de conflito - tendo agora os magistrados do TPI de decidir se as provas constituem uma base razoável para tornar efectiva a ordem de prisão contra o Presidente sudanês.
"O procurador apresentou hoje elementos de prova que demonstram que o Presidente do Sudão, Omar Hasan Ahmad al-Bashir, cometeu crimes de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Darfur", podia ler-se num comunicado emitido na segunjda-feira pelo escritório do procurador.
"A acusação pediu a emissão de uma ordem de prisão", acrescenta o texto, já que, segundo a Procuradoria, Al-Bashir usou a máquina estatal, incluindo o exército, para cometer o genocídio.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) denunciou em Junho a falta de cooperação do Sudão com o TPI, cuja jurisdição não é reconhecida pelo governo sudanês, e a União Europeia (UE) já ameaçou sancionar Cartum.
O Sudão, a maior nação do continente africano, sofre múltiplas divisões religiosas, étnicas e sócio-económicas, acentuadas pelas lutas com vista à apropriação das riquezas naturais, desde que em 1978 se descobriu petróleo no sul do país.
Os confrontos em Darfur (região ocidental do Sudão que faz fronteira com o Chade) já causaram cerca de 300 mil mortes e cerca de 2,5 milhões de refugiados dentro e fora do país, no que a ONU definiu como um dos piores desastres humanitários deste século.