Sudão: Combates no centro do país fazem mais de dois mil deslocados em três dias
10 de nov. de 2025, 17:52
— AO Online/Lusa
O conflito, que dura há mais de dois anos,
causou a morte de pelo menos 40 mil e forçou 12 milhões de pessoas a
abandonar as suas casas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde
(OMS).A região de Cordofão e a região
ocidental de Darfur tornaram-se o epicentro da guerra entre o exército
sudanês e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em
inglês).A tomada da cidade de Al-Fashir
pelas RSF deixou centenas de mortos e obrigou dezenas de milhares de
pessoas a fugir para campos sobrelotados, para escapar às atrocidades
cometidas pelas forças paramilitares, relatadas por grupos de ajuda
humanitária e responsáveis das Nações Unidas.A OIM afirmou que quase 92 mil pessoas abandonaram Al-Fashir e aldeias vizinhas.A
guerra entre as RSF e o exército começou em 2023, quando eclodiram
tensões entre os dois antigos aliados, que deveriam supervisionar uma
transição democrática após o golpe de Estado de 2019.A
OIM também estimou que desde 26 de outubro, cerca de 39 mil pessoas
fugiram de várias aldeias e cidades em Cordofão do Norte, com a maioria a
dirigir-se para norte em direção à capital sudanesa, Cartum, e para
Omdurman e Sheikan.As RSF afirmaram também
hoje que entraram na cidade de Babanusa, na região de Cordofão do
Oeste, e estavam a dirigir-se para o quartel-general do exército.Um
voluntário do grupo local Salas de Resposta de Emergência disse à
Associated Press que outros voluntários na região relataram uma
diminuição no número de famílias em busca de comida e que muitas já
tinham deixado a zona, apesar de não ter números concretos.Em
Darfur, a Rede de Médicos do Sudão informou no domingo que as RSF
recolheram centenas de corpos das ruas de Al-Fashir e enterraram alguns
em valas comuns, enquanto queimavam outros, numa "tentativa desesperada
de ocultar provas dos seus crimes contra civis".Imagens
de satélite analisadas pela empresa Vantor mostraram um incêndio no
Hospital Saudita de Al-Fashir na quinta-feira, perto de um conjunto de
objetos brancos que tinham sido vistos dias antes em outras fotografias
da Vantor.O Laboratório de Investigação
Humanitária da Escola de Saúde Pública de Yale descreveu as imagens como
mostrando "a queima de objetos que podem ser consistentes com corpos".