Substâncias sintéticas mais potentes e novas drogas e consumos preocupam Europa
11 de jun. de 2024, 10:44
— Lusa/AO Online
Estas mudanças estão a provocar uma
ameaça crescente e a aumentar os problemas de saúde pública, conclui o
“Relatório Europeu Sobre Drogas 2024 – Tendências e Desenvolvimentos”, divulgado em Lisboa pelo Observatório Europeu das Drogas e da
Toxicodependência (EMCDDA, na sigla em inglês).Este
observatório inicia no dia 02 de julho um novo mandato com poderes
reforçados e mais abrangentes, face aos novos desafios que têm surgido
na área do tráfico, do consumo e novas substâncias.O
documento, que apresenta dados do ano anterior dos 27 Estados-membros
da União Europeia (UE), Turquia e Noruega, sublinha que os consumidores
estão mais expostos a “uma gama mais vasta” de substâncias psicoativas,
“muitas vezes de elevada potência ou pureza, ou em novas formas,
misturas e combinações”.“Com produtos mal
vendidos (muitas vezes pela Internet e com substâncias adulteradas), os
consumidores podem não ter a consciência do que estão a consumir e
ficarem sujeitos a maiores riscos para a saúde, incluindo envenenamento
potencialmente fatal”.É o caso da heroína,
que continua a ser o opiáceo mais consumido na Europa e responsável por
“parte significativa” dos problemas de saúde, sendo o mercado europeu
“cada vez mais complexo”, com uma variedade de substâncias sintéticas
que estão a causar preocupação.O relatório
destaca preocupações em torno dos opiáceos sintéticos potentes, por
vezes vendidos indevidamente ou misturados com medicamentos e outras
drogas, assim como MDMA (ecstasy) adulterado com catinonas
(estimulantes) sintéticas e produtos de canábis adulterados com
canabinóides sintéticos. No final de 2023,
o EMCDDA monitorizava mais de 950 novas substâncias psicoativas, 26 das
quais notificadas pela primeira vez na Europa nesse ano.Uma
mensagem do relatório deste ano vai para os policonsumos: duas ou mais
substâncias psicoativas ao mesmo tempo ou em sequência, muitas vezes
misturada com álcool. O problema crescente
dos opiáceos na Europa aparece com uma “ameaça emergente” denominada
nitazenos (opioide sintético 40 vezes mais forte do que o fentanil e 140
vezes mais poderoso do que a morfina), que se expandiu por todo o mundo
e que terá causado nos últimos quatro anos mais de 200 mortes.Desde
2009, surgiram no mercado europeu de droga 81 novos opiáceos
sintéticos, altamente potentes e com um enorme risco de envenenamento e
morte por overdose. Em 2023, seis dos sete
novos opiáceos sintéticos notificados pela primeira vez ao Sistema de
Alerta Rápido da UE eram nitazenos, o maior número desta substância
notificado num ano.O relatório alerta que a
Europa tem de melhorar a sua preparação para eventuais mudanças de
mercado, garantindo prevenção e tratamento adequados, incluindo o acesso
a medicamentos e a serviços de redução de danos, bem como
disponibilizando fornecimentos de naloxona, o medicamento para reversão
de overdoses.