Subsídio social de mobilidade entre Açores e Lisboa aumentou de 16 para 26 ME
12 de jun. de 2018, 16:09
— Lusa/AO online
"O
modelo, quando foi aprovado em 2015, que tantos elogios recebeu,
inclusive da parte do PSD/Açores, tinha um limite orçamental de 16
milhões de euros", recordou o chefe do executivo, acrescentando que,
"neste momento, com dados relativos a 2017, o modelo atingiu os 26
milhões de euros".Vasco
Cordeiro respondia assim às críticas feitas pela bancada do PSD, na
Assembleia Legislativa dos Açores, reunida na cidade da Horta, que
recusa alterações ao subsídio de mobilidade, por entender que os
açorianos poderão vir a ser prejudicados nas acessibilidades com o
exterior."Achamos
que o modelo revolucionou os Açores, necessita, naturalmente, de ser
melhorado, mas recusamos retrocessos que imponham tetos financeiros, que
imponham horários para se poder viajar para o continente ou limites ao
número de viagens dos residentes", insistiu Duarte Freitas, líder do
PSD/Açores.O
presidente do Governo Regional lembrou que a eventual alteração ao
subsídio de mobilidade está ainda a ser discutida no âmbito de um grupo
de trabalho que integra membros do executivo regional, mas lembrou que,
se o Governo da República de Pedro Passos Coelho ainda estivesse em
funções, já não haveria subsídio de mobilidade para ninguém."O
que seria de nós, se tivéssemos na República ainda um Governo do PSD,
quando nós atingimos este valor. Os açorianos já teriam deixado de
beneficiar do subsídio social de mobilidade há muito tempo", vaticinou o
governante.A
discussão parlamentar foi suscitada por um debate de urgência, proposto
pelo CDS, sobre transportes, acessibilidades e subsídio de mobilidade,
na sequência das notícias que dão conta da possibilidade de surgirem
cortes na atribuição deste subsídio, pago pelo Governo da República."Aceita
este governo que os açorianos possam viajar entre os Açores e o
Continente apenas em dias e viagens pré-definidos? Aceita que se imponha
um limite anual do número de passagens, quer para os açorianos em
geral, quer para os estudantes, em particular?", questionou, por mais de
uma vez, o deputado centrista Artur Lima, sem obter, no entanto, uma
resposta.Também
Paulo Mendes, do Bloco de Esquerda, pediu aos membros do Governo
Regional que esclarecessem, em plenário, se vão existir ou não
"limitações à mobilidade dos açorianos", numa eventual alteração do
subsídio social de mobilidade.O
debate de urgência serviu também para os partidos da oposição
criticarem o Governo socialista pela "má gestão" da companhia aérea Sata
Air Açores, que alegam não estar a servir bem os açorianos ao não
disponibilizar oferta adequada à procura, sobretudo na época alta e nas
ilhas mais pequenas.António
Vasco Viveiros, deputado social-democrata, advertiu que, se a situação
da empresa "não se alterar profundamente", a transportadora aérea
regional poderá vir a perder, no próximo concurso, a concessão de
serviço público inter-ilhas para "outra eventual concorrente", com
"todas as consequências negativas" que daí possam advir.Para
João Paulo Corvelo, a atual situação da Sata Air Açores resulta da
alteração de objetivos impostos à empresa, que, em vez de garantir o
transporte regular de passageiros entre as nove ilhas, está a "financiar
as low-cost", assegurando o transporte gratuito dos passageiros destas
empresas" através dos reencaminhamentos.Já
Paulo Estêvão, deputado do PPM, acusa Vasco Cordeiro de ser o
"principal responsável" pela "situação absolutamente caótica e
deficitária" em que se encontra atualmente a SATA, recordando que, antes
de ser presidente do Governo, foi também titular da pasta dos
Transportes na região.Francisco
César, da bancada socialista, preferiu destacar o aumento do número de
passageiros transportados pela SATA nos últimos anos na região e entre a
região e o continente, para concluir que, se não tivesse existido este
crescimento, os partidos da oposição estariam agora a exigir "um golpe
de Estado" ao Governo Regional.