Subsecretário regional dos Açores garante legalidade com empresa de que foi sócio
1 de jul. de 2022, 08:11
— Lusa/AO Online
“Em 23 de
novembro de 2020, para poder tomar posse no XIII Governo dos Açores, os
sócios da TRUST [empresa de segurança] aprovaram uma ata na qual eu
renuncio à gerência da empresa e solicito, nos termos do n.º 7 do artigo
9.º da Lei nº 52/2019, a suspensão dos meus direitos societários”,
descreve Pedro Faria e Castro, num esclarecimento escrito.Manifestando
"certeza da legalidade de todo o processo”, o subsecretário acrescenta
que, em maio de 2022, vendeu “a participação social” na empresa de
segurança que, de acordo com o BE/Açores, teve “uma dezena de contratos
por ajuste direto” com o atual Governo Regional. Faria
e Castro indicou ainda disponibilidade “para prestar quaisquer outros
esclarecimentos que se justifiquem sobre esta matéria”.O
BE/Açores denunciou hoje que Faria e Castro foi, até maio de 2022,
sócio da empresa de segurança a quem o Governo Regional dos Açores
adjudicou “vários contratos por ajuste direto”, numa “incompatibilidade
flagrante” com o regime do exercício de funções por titulares de cargos
políticos e altos cargos públicos.De
acordo com o BE/Açores, a lei determina que uma empresa que “tenha como
sócio um titular de cargo político com mais 10% do seu capital" ou um
capital "superior a 50 mil euros" não pode ter "negócios com entidades
públicas”.Por
outro lado, disse o BE, Faria e Castro foi, “até maio de 2022, sócio de
uma empresa de segurança privada”, detendo um “capital que variou entre
os 60 e os 83 mil euros, ou seja, entre um quarto e um terço do capital
da empresa”.O
subsecretário defende que, para tomar posse, renunciou à gerência e
pediu a suspensão dos direitos societários na empresa, num ato que
“consta da declaração enviada ao Tribunal Constitucional na sequência da
posse como membro do Governo”.O
artigo da legislação referido por Faria e Castro, e consultado pela
Lusa, indica que “os titulares de cargos políticos ou de altos cargos
públicos […] têm direito, sem dependência de quaisquer outras
formalidades, à liquidação da quota por si detida […] à exoneração de
sócio, nos termos previstos no Código das Sociedades Comerciais ou à
suspensão da sua participação social durante o exercício do cargo”.“O
deputado António Lima, do BE, sugere que cometi ilegalidades no âmbito
das minhas funções governativas, ao invocar a celebração de contratos
entre uma empresa e várias entidades públicas, invocando
incompatibilidade flagrante. Ter-se-á baseado em informações
difamatórias que há algum tempo correm nas redes sociais, sem que jamais
me tenha confrontado diretamente sobre estas informações”, observou
Faria e Castro.O governante indica, ainda que em outubro de 2019 constituiu sociedade “para a atividade da segurança privada”. “Na
constituição da TRUST - Companhia Insular de Segurança, Lda., fui
nomeado, juntamente com outro sócio, gerente da empresa. Para o efeito,
obtive autorização da Presidência do Governo Regional, minha entidade
patronal”, disse.O
BE alertou hoje que “mais de 73% dos contratos públicos da Trust desde
que a empresa foi criada foram assinados depois de Faria e Castro ter
tomado posse como membro do Governo Regional”.“Perante
a gravidade destes factos, que são públicos e que podem ser confirmados
por qualquer pessoa, exigem-se explicações imediatas por parte do
presidente do Governo [dos Açores]”, afirmou António Lima.“O
subsecretário regional da Presidência deteve um capital social superior
a 50 mil euros e superior a 10% da Trust ao mesmo tempo que a sua
empresa fazia vários negócios com o Governo [Regional]”, reforçou
António Lima.