Subcomissão da AR promete “pressão” para acelerar nova prisão de Ponta Delgada
26 de out. de 2022, 10:20
— Lusa/AO Online
“Faremos
tudo o que estará ao nosso alcance para exigir ao Governo da República
que acelere a construção do novo estabelecimento prisional. É uma
questão de direitos humanos, que é urgente e premente, e tem de ser
resolvida de uma vez por todas”, declarou Sara Madruga da Costa aos jornalistas em Ponta Delgada.A
social-democrata considerou que, após a visita ao atual
Estabelecimento Prisional, os deputados “não têm desculpas” para não
apresentarem propostas de alteração ao próximo Orçamento do Estado para
2023 para “acelerar o processo” de construção do novo espaço.“Nós,
depois deste contacto com a realidade e com as condições chocantes do
estabelecimento prisional, seremos portadores de uma enorme
responsabilidade. Agora, pelo menos para nós, já não há desculpas”,
apontou.A presidente da subcomissão que
integra Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e
Garantias falava na sede da Presidência do Governo dos Açores após
uma reunião com o líder do executivo.Aquela
subcomissão esteve na ilha de São Miguel, onde visitou o atual
estabelecimento prisional de Ponta Delgada e conheceu o local projetado
para a construção da nova cadeia.“O
sentimento de toda a delegação, depois do conhecimento daquelas que são
as condições do estabelecimento prisional, é de choque. As condições são
chocantes”, vincou.Madruga da Costa disse
que os deputados vão realizar um “trabalho contínuo de pressão” junto
do Governo da República, lembrando que “não foi um acaso” o facto de a
primeira visita daquela subcomissão na atual legislatura ter sido à
cadeia de Ponta Delgada.Depois de visitar o
edifício, a parlamentar considerou que a atual prisão, que serve toda a
ilha de São Miguel, é uma “das piores da Europa”.“Da
parte da subcomissão da AR o estabelecimento prisional de Ponta Delgada
é a primeira prioridade em termos de infraestruturas no âmbito do
sistema prisional”, vincou.Madruga da
Costa alertou ainda que o processo de construção de uma nova cadeia
“está muito atrasado”, uma vez que está numa “fase bastante
insignificante de escavação” da bagacina.O
presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro
avisou que a situação da cadeia de São Miguel “afeta a reputação
internacional do Estado português”, lembrando que existem reclusos que
são deslocados para prisões fora da ilha.“Estou
confiante que os senhores deputados exercerão, no quadro do principal
órgão soberania do Estado português, tudo para que a reputação do Estado
e do estado de direito democrático seja acautelada”, declarou.Bolieiro
reconheceu que a situação “não se resolve com um estalar de dedos”, mas
defendeu que é “preciso ver passos concretos” na resolução do
“problema”.“Tenho desilusões relativamente
ao processo de décadas quanto ao encaminhamento efetivo da solução.
Agora tenho esperança que este magnífico contributo - a deslocação da
subcomissão - possa envolver a AR, não apenas num quadro de
recomendação, mas sim de uma afirmação injuntiva”, salientou.O
projeto do novo Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada foi
apresentado em novembro de 2018, como tendo capacidade para 400
reclusos.O novo equipamento, a construir
na Mata das Feiticeiras, no concelho de Lagoa, num terreno cedido pelo
Governo dos Açores ao Estado, deveria substituir o atual Estabelecimento
Prisional, com problemas de sobrelotação.A 08 junho, o Tribunal Central Administrativo do Sul determinou que o
Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça terá de aprovar
novo concurso para o projeto do Estabelecimento Prisional de Ponta
Delgada.