Stoltenberg pede armas prioritárias para Kiev em detrimento das reservas da NATO
17 de abr. de 2024, 18:25
— Lusa
"Se os
aliados forem confrontados com a escolha entre cumprir os objetivos de
capacidade da NATO e prestar mais assistência à Ucrânia, a minha
mensagem é clara: enviem mais armas para a Ucrânia", sublinhou
Stoltenberg, durante uma conferência de imprensa, depois de se ter
reunido com os líderes dos Países Baixos, Dinamarca e República Checa.Stoltenberg
confirmou ainda que a reunião do Conselho NATO-Ucrânia, solicitada pelo
Presidente ucraniano terá lugar na sexta-feira, com a presença de
Volodymyr Zelensky e dos ministros da Defesa aliados para "abordar as
necessidades mais urgentes de apoio à Ucrânia", em particular a defesa
aérea e as munições de artilharia.O
encontro ocorrerá dias depois de Zelensky ter censurado os seus
parceiros por a Ucrânia não receber a mesma ajuda que Israel, que foi
apoiado por diferentes países para abater 'drones' e mísseis iranianos
na sequência do ataque de Teerão, na noite de sábado para domingo. “Os
drones e os mísseis 'Shahed' representam riscos de escalada diferentes,
mas será que as vidas humanas e o valor das pessoas são diferentes?
Não, não são. Valorizamos todas as vidas da mesma forma", sublinhou o
líder ucraniano.O secretário-geral da NATO afirmou que é "importante que todos os aliados alcancem e cumpram os objetivos de capacidade". "Mas
apercebi-me de que, pelo menos a curto prazo, pode haver um conflito
entre cumprir todos os objetivos e fornecer o que a Ucrânia precisa
agora, e foi por isso que deixei claro que se a única forma de apoiar a
Ucrânia é ficar aquém dos objetivos de capacidade da NATO, então é esse o
caminho a seguir", afirmou.O responsável
disse que esta é uma decisão que tem de ser tomada pelos aliados a nível
nacional, uma vez que tem de existir "um equilíbrio entre o aumento dos
riscos que terão de enfrentar na sua própria defesa nacional"."Mas
a realidade é que apoiar a Ucrânia e ajudá-la a destruir as capacidades
de combate russas também aumenta a nossa segurança”, referiu.Ao mesmo tempo, salientou a importância de aumentar a produção para repor as reservas nos arsenais aliados. Stoltenberg
reuniu-se hoje com os primeiros-ministros da República Checa, Petr
Fiala, da Dinamarca, Mette Frederiksen, e dos Países Baixos, Mark Rutte,
para discutir a forma de fornecer mais sistemas de defesa aérea à
Ucrânia, "porque a situação no campo de batalha continua muito difícil".
A Dinamarca anunciou um novo e importante
pacote de ajuda, os Países Baixos acabaram de confirmar mais 4 mil
milhões de euros de ajuda militar adicional a Kiev e a República Checa
continua a liderar uma iniciativa que está a angariar centenas de
milhões de euros para enviar mais projéteis de artilharia para a
Ucrânia.Sobre as defesas aéreas de que a
Ucrânia necessita, Rutte afirmou que a Ucrânia tem de produzir mais
sistemas de defesa aérea a médio prazo, estudar o que pode fornecer com
os seus próprios arsenais e comprar o que está "disponível em todo o
mundo".Fiala indicou que, através da
iniciativa checa de fornecer à Ucrânia mais munições de grande calibre,
já foram contratados cerca de 200.000 cartuchos e estão previstos mais
300.000. “[Os aliados devem] equilibrar as
necessidades que temos enquanto membros da NATO e a nossa própria
dissuasão e defesa com tudo o que queremos fazer pela Ucrânia",
sustentou Frederiksen."Mas a mensagem foi
muito clara hoje: quando olhamos para o campo de batalha, neste momento,
temos de fornecer especialmente mais munições e defesa aérea", resumiu.