Sondagem revela insatisfação com desigualdades e corrupção
25 de Abril
19 de abr. de 2024, 11:19
— Lusa
Em
termos de corrupção e criminalidade/segurança, dois terços dos
inquiridos entendem que a situação é hoje pior do que antes do 25 de
Abril, de acordo com o estudo “Os Portugueses e o 25 de Abril”, hoje
divulgado pela Comissão Comemorativa e realizado por uma equipa do
Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do ISCTE –
Instituto Universitário de Lisboa.Em
metade das áreas em análise, a maioria dos inquiridos considera que a
situação é hoje melhor, caso da assistência médica (74%), do nível de
vida em geral (71%), da segurança social (68%), da situação económica
(62%), da proteção do ambiente (60%) e da convivência social e civismo
(57%).Porém, as respostas refletem as
condições sociais e económicas em que os estudos são produzidos. No
presente inquérito, a “exceção mais clara” às melhorias identificadas é a
questão da habitação.“De facto, enquanto
61% detetavam melhorias em 2004 – valor que aumentou para 74% em 2014 -,
em 2024 já só 47% consideram que neste âmbito as coisas melhoraram
desde o 25 de Abril”, notam os autores do trabalho, coordenado por Pedro
Magalhães.A maioria dos inquiridos (56%)
considera que Portugal deve celebrar o 25 de Abril, mas também o 25 de
Novembro, que marcou o fim do chamado Processo Revolucionário em Curso
(PREC).Cerca de um terço defende apenas a celebração do 25 de Abril.A
maioria dos inquiridos (57%) manifesta-se “muito” ou “razoavelmente
satisfeita" com a forma como funciona a democracia em Portugal, o “valor
mais elevado” obtido nos três estudos comparativos (2004, 2014 e
2024).A satisfação é “tendencialmente
menor” entre os inquiridos que se posicionam à direita ou ao centro, do
que entre os que se declaram de esquerda. Entre o grupo de simpatizantes
com o Chega, “a expressão de satisfação é minoritária”.Entre os inquiridos, 44% reportaram que Portugal é uma democracia com “muitos defeitos”.Mas
a grande maioria (67%) considera Portugal tão democrático como os
restantes países europeus. Os simpatizantes com o Chega expressaram mais
a ideia de que em Portugal o regime é "menos democrático do que os
outros”, face aos simpatizantes do PS e do PSD e aos que não manifestam
simpatia partidária.